Oferta do Mubadala pela Brasil PCH destrava recuperação judicial da Renova Energia

Oferta do Mubadala pela Brasil PCH destrava recuperação judicial da Renova Energia

Wilian Miron

22 de julho de 2021 | 15h50

Ao menos 15 potenciais compradores fizeram consultas sobre o ativo da Renova Energia Foto: MARCELO MIN/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

A oferta de R$ 1,1 bilhão do fundo Mubadala para comprar a participação indireta de 51% que a Renova Energia tem na Brasil PCH, praticamente destrava o processo de recuperação judicial da geradora. Aprovado em dezembro, o plano previa a venda de R$ 1,7 bilhão em ativos – e a participação na Brasil PCH era o principal deles.

“É a garantia de que o leilão vai ter resultado positivo e do destravamento de processo de recuperação da empresa, junto às obras que estão em andamento”, disse o presidente da Renova Energia, Marcelo Milliet, em entrevista ao Broadcast Energia.

A subsidiária praticamente vendida administra 13 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) que têm capacidade instalada de 148,4 megawatts (MW). Ao menos 15 potenciais compradores fizeram consultas para obter informações detalhadas sobre o ativo, o que eleva a expectativa por competição no leilão, agendado para o dia 16 de agosto.

Embora o Mubadala tenha oferecido uma proposta com ágio de 10% sobre o valor mínimo de R$ 1 bilhão estipulado para o certame, outras companhias ainda podem arrematar a Brasil PCH, caso superem o lance prévio apresentado pelo fundo.

Do valor arrecadado, aproximadamente R$ 420 milhões irão para quitar o empréstimo ponte de R$ 362,5 milhões obtidos junto à Quadra Gestão de Recursos para retomar as obras do Complexo Eólico Alto Sertão III, que estava parada havia anos, e que deve ser concluído até janeiro. O valor de pagamento já considera juros de aproximadamente 18% ao ano, além dos encargos da operação.

Outros R$ 225 milhões, aproximadamente, vão pagar dívidas da Renova com os bancos. Entre as principais credoras da geradora estão o Citibank e o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Já o saldo restante, após o pagamento de impostos, vai reforçar o caixa da companhia.

Para os ativos ainda à venda, a Renova já recebeu propostas preliminares que superam o valor inicial, e tem mantido tratativas para anunciar em breve os leilões. Os próximos a serem vendidos são a Expra, que possui as PCHs Cachoeira da Lixa, Colino I e Colino II, que fazem parte do Complexo Hidrelétrico Serra da Prata, no extremo Sul da Bahia, que totalizam 41,8 MW.

As usinas fazem parte do Programa de Incentivo às Fontes Renováveis (Proinfa), criado no início dos anos 2000 com o objetivo de estimular a introdução de PCHs, usinas eólicas e térmicas a biomassa na matriz elétrica brasileira. O custo do programa é pago por todos os consumidores – livres e do mercado regulado (atendido pelas distribuidoras), exceto aqueles classificados como baixa renda -, por meio de encargo.

Até o fim deste ano, a Renova ainda pretende vender aproximadamente 5 gigawatts (GW) em projetos de geração eólica. A estimativa é que gerem pelo menos R$ 400 milhões para o caixa da companhia.

Conversão de dívidas

Outro trunfo da empresa para resolver o endividamento, que no início da recuperação judicial se aproximava dos R$ 3 bilhões, é a conversão de dívidas em capital da empresa. Na primeira fase do programa, foram convertidos R$ 345,2 milhões. A expectativa para a próxima rodada, prevista para breve, é que aconteça a conversão de R$ 50 milhões.

Depois da venda de ativos e da conversão de dívidas, a expectativa é que o passivo da Renova fique em aproximadamente R$ 1 bilhão, que deve ser pago com geração de caixa proveniente do Alto Sertão III e outros projetos que a empresa desenvolverá. Este valor não considera a dívida de R$ 700 milhões com a Cemig, a ser paga no fim do processo.

O avanço na venda de ativos também abre caminho para uma futura saída da Cemig do capital da Renova, desejo já manifestado publicamente pela diretoria da estatal mineira.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast Energia no dia 21/07/2021, às 17h13.

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