Oi inicia leilões para venda de ativos, aparentemente sem surpresas

Oi inicia leilões para venda de ativos, aparentemente sem surpresas

Circe Bonatelli

26 de novembro de 2020 | 04h30

A Oi dá largada hoje à série de leilões para a venda de ativos e a reorganização da empresa, em recuperação judicial. O objetivo é levantar, ao todo, mais de R$ 20 bilhões para pagar credores e investir no que restar da tele, que passará a ser uma operadora focada em fibra ótica para banda larga e serviços de telecomunicações para empresas.

Os leilões das torres e dos data centers acontecerão nesta quinta-feira, 26, e o das redes móveis será no dia 14 de dezembro. Aparentemente, cada ativo deve ser vendido para os candidatos que já fizeram ofertas firmes e ganharam o direito de preferência, segundo fontes diretamente envolvidas nas negociações. A chance de surpresas é muito pequena, mas não está completamente descartada.

A Oi ainda fará leilões para uma parceria nas redes de fibra ótica e para a venda da operação de TV por assinatura, ambos no começo de 2021, mas ainda sem data marcada. As ofertas firmes por estes ativos devem ser colocadas na mesa só em janeiro.

Nesta quinta, em virtude da pandemia, os certames ocorrerão através de audiências virtuais presididas pelo juízo da recuperação judicial, a 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.

O primeiro deles será às 14h30 com a oferta do conjunto de cinco data centers da operadora. Esse ativo recebeu o lance de R$ 325 milhões da Piemonte Holding, gestora sediada no Rio de Janeiro e dona de uma carteira de mais de R$ 120 milhões em investimentos focados no ramo de data centers.

O segundo leilão será às 15 horas e se refere ao conjunto de 637 torres móveis e 222 antenas indoor (usadas em prédios comerciais, como shoppings e hotéis). Já está na mesa a oferta de R$ 1,067 bilhão da Highline do Brasil, provedora de infraestrutura de telecomunicações pertencente ao fundo norte-americano Digital Colony, um peso-pesado com mais de US$ 20 bilhões em investimentos globais.

A Piemonte e a Highline estão classificadas como principais proponentes (stalking horse, no jargão do mercado) para os leilões, o que lhes dá o direito de igualarem a maior oferta caso surjam eventuais lances de rivais – hipótese vista como pouco provável.

A Coluna apurou que até o fim da tarde de quarta-feira, 25, não havia outros candidatos habilitados nos autos do processo a fazerem parte dos leilões judiciais.

Em caso de interesse, os candidatos deveriam encaminhar uma manifestação formal para a Oi, para o assessor financeiro, o Bank of America, para o administrador da recuperação judicial, Wald Advogados, e para a 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.

Vale lembrar que as regras estabeleciam que tais manifestações deveriam ocorrer no prazo de sete dias úteis após a publicação dos editais. Esse prazo acabou no fim de outubro, o que fecha as portas para uma eventual entrada de candidatos de última hora.

Entretanto, uma fonte próxima à Oi e consultada pelo Broadcast disse que o edital não obriga a tele a comunicar eventuais manifestações de interesse pelas torres e data centers. Além disso, fontes no mercado comentaram que a operadora vinha trabalhando para tentar atrair mais candidatos ao leilão e alcançar lances maiores, uma movimentação comum antes de eventos do gênero.

Leilão das redes móveis

O leilão das redes móveis também não deve ter surpresas. A negociação envolve toda a carteira de clientes de planos pré e pós-pagos da Oi e as faixas de frequência por onde trafegam os sinais de telefonia e dados móveis da companhia.

O consórcio formado por Vivo, TIM e Claro fez a maior oferta pelo ativo, no valor de R$ 16,5 bilhões, e se qualificou como principal proponente. Neste caso, o trio também tem o direito de superar eventuais lances de concorrentes no certame.

Mas a tendência aqui também é a de que não haja disputa. A outra concorrente era a Highline, que já declarou publicamente que não participará do leilão após ter sua oferta superada pelo consórcio.

O prazo para que interessados protocolassem o interesse pelo leilão das redes móveis acabou no fim da semana passada, e a Highline de fato ficou de fora.

A Coluna apurou que até o momento não há outros candidatos para bater de frente com Vivo, TIM e Claro. Uma diferença no edital das redes móveis, porém, é que a Oi tem a obrigação de comunicar formalmente se existem outros interessados pelo ativo 48 horas antes do leilão. Esta cláusula foi uma exigência das teles rivais, que preferiram evitar surpresas de última hora.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 25/11/2020 às 11:15

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