Pandemia puxa alta no crédito por meio de duplicatas no 1º semestre

Pandemia puxa alta no crédito por meio de duplicatas no 1º semestre

Cynthia Decloedt

26 de agosto de 2020 | 05h12

A tomada de crédito por meio da antecipação de duplicatas, modalidade muito utilizada por várias empresas para capital de giro, cresceu 10% nos primeiros seis meses em relação ao mesmo semestre do ano passado, alcançando R$ 919 bilhões. O aumento foi puxado pela busca desenfreada dos empresários por dinheiro em março, diante da completa falta de parâmetros trazida pelo anúncio da pandemia.

Alta demanda. Naquele mês, o crédito concedido por meio da antecipação de duplicatas foi o segundo maior que se tem registro, alcançando R$ 90 bilhões. O recorde em crédito a partir de duplicata aconteceu em dezembro de 2019, quando ficou em R$ 93 bilhões. Os dados são da central de registros CRDC, que atua no segmento de recebíveis e recebeu no ano passado aval do Banco Central para atuar como registradora de ativos financeiros.

Firme e forte. O grande volume de março caiu levemente nos meses seguintes. Voltou ao patamar pré-pandemia em junho, em torno de R$ 73 bilhões. O comportamento foi visto como uma surpresa pelos executivos da CRDC e não causa preocupação de pico de inadimplência. Matheus Bonelli, sócio da registradora, diz que a indústria que cede crédito a partir de duplicatas se fechou a novos clientes e deu fôlego aos que já estavam em suas carteiras. Além disso, as duplicatas tem vencimento médio em 45 dias, ou seja, eventual aumento de inadimplência já estaria sendo visto. Segundo ele, porém, os próximos meses ainda devem ser de confirmação dessa tese.

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