Para falar mais alto, Nubank, Mercado Pago e Google fundam associação

Para falar mais alto, Nubank, Mercado Pago e Google fundam associação

André Ítalo Rocha

10 de março de 2021 | 05h00

Duas das maiores fintechs da América Latina, o Nubank e o Mercado Pago, se juntaram a uma gigante global de tecnologia, o Google, para fundar no Brasil uma associação de empresas que oferecem serviços financeiros digitais, a Zetta. A entidade, que já nasce com nome de startup e conta na largada com adesão de companhias como Inter e Creditas, representa o primeiro movimento em bloco deste grupo para ganhar relevância nas discussões que pautam o setor financeiro, ainda dominadas pelos grandes bancos, mais acostumados aos corredores de Brasília.

A criação da Zetta será anunciada nesta quarta-feira, dia 10, e terá como primeiro presidente o executivo Bruno Magrani, diretor de Relações Institucionais do Nubank. Segundo ele, a nova associação trabalhará três grandes temas: competitividade, inovação tecnológica e inclusão financeira, pautas bem alinhadas à agenda que o Banco Central (BC) tem tocado desde 2016 e que resultou, por exemplo, no lançamento do Pix, sistema de pagamentos instantâneos que derrubou de vez as tarifas cobradas por grandes bancos para transferências entre contas e acirrou a competição no setor.

“As pautas da Zetta refletem alguns dos desafios e oportunidades relacionados à maneira como a tecnologia e a internet estão transformando os serviços financeiros. Dessa forma, a Zetta quer contribuir com temas como Pix, Open Banking, regulação das fintechs, desburocratização, proteção de dados e diversos outros”, afirma Magrani, em entrevista exclusiva ao Broadcast.

Bruno Magrani, diretor de Relações Institucionais do Nubank e primeiro presidente da Zetta. Foto: Nubank/Divulgação

Além das companhias já citadas, completam a lista de associados as fintechs MovilePay, Hash e iugu. Os membros da Zetta acreditam que há uma lacuna no debate sobre o uso de tecnologia para serviços financeiros e, por isso, afirmam que a associação vai se diferenciar de outras entidades do setor, como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), das quais alguns dos associados também fazem parte. “Enxergamos a necessidade e a oportunidade de contribuir com uma nova visão nesse sentido”, afirma o primeiro presidente da associação.

Brasília, por razões óbvias, será um destino frequente para a Zetta, que deseja influenciar decisões de políticas públicas. Mas não será o único território de trabalho. A associação também quer participar de debates na academia e na sociedade civil. “A ideia da Zetta é estar onde nós possamos ajudar nas melhores tomadas de decisões com base nos conhecimentos técnicos, dados e análises dos nossos associados”, disse também ao Broadcast François Martins, diretor de Relações Governamentais do Mercado Livre, maior plataforma de e-commerce da América Latina, da qual o Mercado Pago faz parte, como uma fintech de pagamentos.

François Martins, diretor de Relações Governamentais do Mercado Livre. Foto: Mercado Livre/Divulgação

As conversas para a criação da nova associação começaram em meados de 2019 e ganharam força em 2020, durante a pandemia, quando o isolamento social acabou acelerando a expansão de serviços financeiros digitais. “Basta olhar para tudo o que foi feito para facilitar o acesso imediato ao auxílio emergencial, ofertar serviços financeiros mais acessíveis a essa população, bem como no fomento de negócios digitais durante a pandemia”, ressalta Martins.

O Google, conhecido pela expertise em análise de dados e que desde 2017 oferece a clientes brasileiros o Google Pay (um iniciador de pagamentos para smartphones com sistema Android), entra em uma associação de empresas do setor financeiro em um momento no qual o BC acelera o passo para implementar o open banking, um conjunto de regras e tecnologias que vai permitir o compartilhamento de dados e serviços de clientes entre instituições financeiras por meio da integração de seus respectivos sistemas, um tema que, à medida que for avançando, deve alimentar discussões sobre proteção de dados.

Para o diretor de Relações Governamentais do Google, Marcelo Lacerda, é um objetivo comum entre os membros da Zetta proporcionar liberdade de escolha para que pessoas e empresas tenham mais controle e poder de decisão sobre o próprio dinheiro e informações. “Nos unimos porque acreditamos no uso de tecnologia para promover a competitividade e na entrega aos nossos clientes de serviços mais simples e eficientes”, disse ao Broadcast.

Marcelo Lacerda, diretor de Relações Governamentais do Google. Foto: Google/Divulgação

Assim como fazem as tradicionais associações empresariais, a Zetta também publicará pesquisas e estudos de maneira periódica, a cada dois ou três meses. O primeiro já será divulgado nesta quarta-feira, com resultados de comportamento dos consumidores na pandemia em relação a serviços financeiros.

Um dos destaques é o aumento de 29% no número de clientes ativos de cartão de crédito entre fevereiro e novembro do ano passado, com mudanças no hábito de uso ao longo dos meses. No início, os brasileiros estavam pagando mais à vista, possivelmente em razão de insegurança sanitária ou econômica, e depois, à medida que o estranhamento foi passando, voltaram a parcelar mais, comprometendo a renda com dívidas futuras.

Além disso, mostra o levantamento, foi multiplicada por 12 a procura na internet por pessoas que queriam saber como abrir ou criar uma conta digital. O interesse por “conta digital PJ” cresceu em 104%, sempre na comparação entre 2020 e 2019. Também foi registrado aumento de 57% nos volumes de empréstimos feitos digitalmente.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 09/03/2021 às 16:39:06

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