Para minoritários, há precedente para Smiles

Para minoritários, há precedente para Smiles

Coluna do Broadcast

16 Outubro 2018 | 04h00

Acionistas minoritários da Smiles, pegos de surpresa com o anúncio da controladora Gol, de não renovar seu contrato com a empresa de fidelidade, que vence em 2032, e incorporar a companhia, acreditam que o aval da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o desenho da operação entre Suzano e Fibria abriu precedente para a reorganização societária a ser realizada pela companhia aérea.

Para eles, a dinâmica é a mesma: o acionista controlador anuncia uma operação na qual os minoritários não têm a opção de não aderir. No modelo anunciado pela Suzano para a compra da Fibria – transação recém aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) -, os acionistas desta última receberão, pela sua participação, uma parte em ações e outra em dinheiro.

A queixa foi de que esse formato não provê a opção da venda, como ocorre, por exemplo, em uma oferta pública de aquisição (OPA).

Hipótese. A Gol cogitará a alternativa da oferta pública caso a proposta de reorganização societária não seja aprovada, mas afirma que esse não é o “objetivo ou a expectativa” da empresa. Ao justificar a operação, a Gol disse que colocar a Smiles sob seu guarda-chuva está em linha com a estratégia de outras companhias. A Latam, por exemplo, fará o mesmo com a Multiplus, mas lá haverá uma OPA.

Caso pensado. Há, ainda, outra reclamação dos acionistas. A Gol fez o anúncio, mas ainda não informou qual será a razão de troca das ações – ou seja, ainda nem é possível precificar como será tal operação em termos financeiros. A questão é que essa informação deverá ser passada em 100 dias e, nesse período, deve manter a tendência de queda no valor das ações.

O papel da Smiles fechou o pregão de ontem com baixa de 38,84%, a R$ 31,70. Executivos da aérea frisam que não conseguem fornecer mais detalhes, no momento, uma vez que essa razão e os termos da reorganização serão negociados junto a um comitê independente da Smiles, que ainda será instituído. Procurada, a Gol observa que o comitê será composto por membros independentes, “em linha com as melhores práticas de governança corporativa”, e que terá “total descrição para analisar todos os méritos da transação e emitir uma recomendação ao Conselho de Administração da Smiles”.

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