Após sucesso de parceria com C6, TIM caça startups de telemedicina e ensino a distância

Após sucesso de parceria com C6, TIM caça startups de telemedicina e ensino a distância

Circe Bonatelli

11 de fevereiro de 2021 | 14h04

Loja da TIM na Av. Paulista, em São Paulo. Crédito: Divulgação da empresa

Expectativa de resultados da TIM foi superada por causa da parceria com o C6. Crédito: Lucas Galli/Divulgação

Depois de ver a sociedade com o banco digital C6 impulsionar o lucro do seu último balanço, a operadora italiana TIM está estudando fechar acordos em moldes semelhantes em outras áreas no Brasil. A bola da vez são as startups de ensino a distância e telemedicina, que vêm crescendo rápido após a chegada da pandemia e com a necessidade da população em cumprir a rotina por meio de encontros virtuais.

“É provável que o mesmo modelo de parceria seja aplicado em outra indústria”, afirmou o presidente da TIM, Pietro Labriola, em coletiva de imprensa para falar dos resultados de 2020. “Temos outros mercados que estão animados: ensino a distância e telemedicina. Aqui estamos olhando para possíveis parcerias.”

Estratégia é ganhar dinheiro extra, com base de clientes

A movimentação da TIM faz parte de uma estratégia vista com mais frequência entre as empresas de telecomunicações: ganhar um dinheiro extra, transformando seus canais de comunicação com milhões de usuários em vitrines para a oferta de produtos e serviços de outros setores. Só a companhia italiana tem 51,4 milhões de usuários no Brasil.

O ramo financeiro tem sido uma opção de parceiro comum para operadoras, uma vez que o mercado brasileiro de crédito ainda é pouco desenvolvido e tem atraído fintechs e gestoras capazes de oferecer soluções inovadoras para os consumidores. Por exemplo: a Claro lançou no ano passado o SmartCred, serviço de empréstimo pessoal em parceria com o Banco Inbursa. E a Telefônica tem com o Vivo Money em sociedade com a gestora Captalys. Por sua vez, a Oi tem negócios com a Conta Zap.

“Nós temos alguns grandes ativos que são importantes para essas indústrias, como a quantidade de clientes, o conhecimento dessa base, os canais de atendimento, o serviço de pós-vendas e cobranças. É um arsenal de ativo relevante para essas indústrias”, afirmou o vice-presidente de Estratégia e Transformação da TIM, Renato Chiuchini.

Analistas de mercado foram surpreendidos com resultado de parceria com C6

No caso do C6, banco digital fundado por ex-sócios do BTG Pactual em 2018, a parceria com a TIM prevê que os clientes da tele que abrem uma conta no banco e/ou pagam suas recargas e faturas por lá ganham gigabytes extras como bônus no pacote de dados.

A TIM tornou-se sócia do C6, com participação no capital crescendo proporcionalmente ao número de clientes da tele que abrem uma conta no banco. Hoje, essa fatia está em 1,4% e pode se estender até o limite de 15%.

O balanço da tele referente ao quarto trimestre de 2020, publicado no fim da noite de terça-feira, 9, passou a contabilizar essa participação, que gerou ganhos relevantes. A companhia teve receita financeira de R$ 240 milhões no quarto trimestre de 2020, salto de 1.128% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foi de R$ 20 milhões.

Com isso, o lucro da TIM ficou 57% acima da média das projeções expectativas de quatro instituições financeiras consultadas nas Prévias Broadcast (BTG Pactual, Eleven Financial, Itaú BBA e Santander). Os bancos estimavam que o resultado fosse de R$ 646,5 milhões, mas a tele reportou R$ 1,013 bilhão.

“O salto no lucro líquido, muito acima das nossas expectativas, é explicado pelo impacto na receita financeira da marcação a mercado do bônus de subscrição (acompanhamento do preço real de títulos) no banco C6″, disse a analista Flávia Ozawa, em relatório da Eleven Financial distribuído a clientes.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 10/02/2021, às 18:35:25.

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