Passagens aéreas devem ficar 10% mais caras com volta de despacho gratuito de bagagem

Passagens aéreas devem ficar 10% mais caras com volta de despacho gratuito de bagagem

Cristiane Barbieri e Juliana Estigarríbia

28 de abril de 2022 | 05h30

Medida que prevê volta do despacho gratuito de malas vai ao Senado  Foto: Clayton de Souza/AE

Ao contrário do que se poderia imaginar, as ações das companhias aéreas tiveram alta no início da tarde de ontem, após os analistas de mercado digerirem o retorno do despacho gratuito de malas pela Câmara dos Deputados. Segundo uma fonte do setor, eles fizeram contas: a isenção resultará em aumento dos preços das passagens de maneira generalizada e numa melhoria da rentabilidade das empresas do setor. Em sua estimativa, a alta ficaria por volta de 10%, em média.

Hoje, se 30% dos passageiros levam bagagens, apenas essa parcela paga pelo peso a mais, que faz o avião consumir combustível extra. Caso o transporte de bagagens seja isento de tarifas, as aéreas farão um aumento médio generalizado, como se 40% ou 50% dos passageiros fossem levar suas malas. Na verdade, quem viaja sem peso, vai pagar o transporte da mala de outras pessoas, afirma a fonte. “Não há a menor chance de um setor que teve prejuízo de R$ 27 bilhões, nos últimos três anos, viveu uma pandemia e vive uma alta de combustíveis pela guerra, absorva qualquer tipo de custo extra”, diz.

Projeto é encarado como benefício e não penalização ao setor

Por isso, o projeto não vem sendo encarado como uma penalização ao setor – e sim como um benefício. Outro ganho às aéreas presentes no País é que a isenção das bagagens é um dos principais inibidores à entrada de concorrentes estrangeiros – especialmente as empresas low cost. Ou seja: o mercado permaneceria fechado aos mesmos participantes.

Caso o projeto passe pelo Senado, o Brasil se juntará aos três países no mundo que adotam a isenção de bagagens: Venezuela, Cuba e China. Para a fonte, o setor esperava a iniciativa, já que o ano eleitoral costuma trazer medidas populistas e sem sentido econômico.

O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, reitera a visão de que a volta da franquia de bagagem obrigatória fechará o mercado para entrantes. “A proposta aprovada na Câmara criaria um Brasil diferente do resto do mundo, um mercado sem a possibilidade de novas empresas de fora passarem a operar aqui com o mesmo modelo global. Seria um retrocesso”, afirma.

Segundo ele, logo após a implementação da cobrança pela franquia de bagagem no Brasil, “ao menos oito empresas estrangeiras, sendo sete low-cost, demonstraram interesse em operar no País. Em 2020, porém, a pandemia interrompeu abruptamente esse movimento”.

Aéreas dizem que passagens não caíram por motivos estruturais

Para Sanovicz, as tarifas não diminuíram com o fim da obrigatoriedade da franquia de bagagem no Brasil por motivos estruturais. “Nos últimos cinco anos, os custos do querosene de aviação e câmbio explodiram no País. Os preços da passagem são resultado de um fator conjuntural.”

Conforme a Abear, o querosene de aviação registrou alta de 92% em 2021 e, no primeiro quadrimestre deste ano, de 38%. “Continuamos vendo um horizonte complicado para os próximos 120 dias, o câmbio já bateu R$ 5 novamente, o cenário segue duro.”

A Azul informou em nota que a eventual extinção da prática de cobrança de bagagens “vai contra as medidas de desburocratização e simplificação do ambiente de negócios na aviação”.  Já a Latam informou em comunicado que “lamenta a proposta de retorno da franquia obrigatória de bagagem, que retira a liberdade de opções de escolha do passageiro”. Procurada, a Gol afirmou que se pronuncia sobre o tema através da Abear.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 27/04/22, às 16h50.

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