Perto de IPO, Dona da Farm e Animale pode comprar Richards da Inbrands

Perto de IPO, Dona da Farm e Animale pode comprar Richards da Inbrands

Por Cynthia Decloedt e Fernanda Guimarães

03 de julho de 2020 | 05h00

Foto: Aline Bronzati/Estadão

Perto de estrear na bolsa de valores, o Grupo Soma, dona de marcas como a Farm, Fábula e Animale, já está de olho na primeira aquisição após a oferta inicial de ações que colocará dinheiro em seu caixa. A aposta está direcionada à Richards, marca mais rentável da Inbrands, que tem ainda em seu portfólio Ellus, Salinas, VR e Alexandre Herchcovitch. No prospecto da oferta da Soma está determinado que 30% dos recursos serão destinados à compra de marcas.

Vale tudo. Se para a dona da Farm esse pode ser um bom negócio, para a Inbrands deverá ser um caminho para evitar a reestruturação de suas dívidas sob supervisão da Justiça, ou seja, por meio de uma recuperação judicial, que a companhia tenta evitar a todo o custo nesse momento. Outra alternativa para a Inbrands seria uma fusão de seus negócios com a concorrente, envolvendo o compromisso de a outra parte assumir todas as dívidas. Inclusive, levar essas dívidas é pré-condição, neste momento, para qualquer venda de marca ou de ativo. A BR Partners foi contratada como assessor financeiro da Inbrands nessa empreitada.

Água subiu. Além das dívidas que superam a casa dos R$ 500 milhões, o atual dono da Inbrands, Nelson Alvarenga, tem a obrigação, na pessoa física, de R$ 200 milhões com a Vinci Partners, de quem comprou sua fatia na companhia em 2017.

Nariz de fora. Especializada em moda masculina, a VR tem 28 lojas próprias e 30 franquias e foi colocada na mesa para a venda. Uma eventual combinação das operações da Inbrands com outra grande empresa do segmento, porém, aumentaria sua capacidade de negociação com credores e fornecedores. Com marcas conhecidas, a Inbrands é vista como um bom ativo, e por isso o trânsito entre seus credores. Além da sinergia em termos de custos e eficiência no negócio, o raciocínio é que dobraria a capacidade de negociação com seus devedores para superar a crise.

Casa limpinha. A InBrands reportou prejuízo de R$ 45,4 milhões no primeiro trimestre, ampliando perdas que somavam R$ 18,9 milhões no mesmo período de 2019. O ano de 2019 foi de reorganização de suas operações, com fechamento de unidades deficitárias e cortes de custos. Procuradas, o Grupo Soma não comentou e a Inbrands afirmou que está sempre atenta a boas oportunidades, no melhor interesse da companhia, mas que não comentaria.

Esta matéria foi publicada no Broadcast no dia 02/07 às 17:48:26

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