Petrobras deve começar a vender fatia na Braskem no primeiro trimestre

Petrobras deve começar a vender fatia na Braskem no primeiro trimestre

Irany Tereza

28 de novembro de 2021 | 05h10

Momento atual, com excesso de liquidez internacional, é favorável à oferta de ações da Braskem  Foto: Daniel Teixeira/AE

A novela da Braskem está se aproximando dos últimos capítulos. Segundo apurou a Coluna, a intenção é que a oferta das ações preferenciais (PN) da petroquímica ocorra no primeiro trimestre de 2022. A indefinição em relação à manutenção da participação da Petrobras já foi revertida: a petroleira vai acompanhar a decisão dos bancos credores de vender sua fatia na empresa controlada pela Novonor (ex-Odebrecht).

Na quinta-feira, durante apresentação do Plano Estratégico da Petrobras 2022-2026, o diretor financeiro, Rodrigo Araujo, deu uma dica importante: a petroleira pretende seguir a mesma modelagem usada na venda da antiga BR Distribuidora, hoje Vibra Energia. “A ideia é ter algo similar a isso”, disse o executivo, sem dar detalhes.

Embora Novonor e Petrobras, com 50,1% e 47% do capital votante (ON) respectivamente, sejam os maiores acionistas da Braskem, são os bancos credores (Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Banco do Brasil e BNDES) que estão conduzindo de fato o processo de venda. No recuperação judicial da então Odebrecht, as ações da petroquímica foram dadas em garantia para o fechamento do acordo. De lá para cá, a Braskem praticamente triplicou de valor.

O consenso foi tão difícil que alguns credores chegaram a achar mais simples vender aos poucos sua posição. Mas, o desfecho caminha para um follow on (oferta secundária de ações) do capital preferencial no início do ano que vem. Vale lembrar que o capital total da Braskem está dividido da seguinte forma: Novonor (leia-se bancos credores), 38,3%; Petrobras, 36,1%, e Outros, 25,6%.

A parcela significativa em free float (livre circulação) é um detalhe importante no processo, à medida em que aumenta a liquidez do papel. Quando fala em “algo similar” ao da Vibra, o diretor da Petrobras está se referindo, com certeza, a toda a preparação do que sucede o lançamento de ações: definição da governança, listagem no novo mercado, enfim tudo o que ocorreu com a então BR.

Os casos são um pouco diferentes, mas basta recordar o exemplo dado pelo executivo para entender: a BR Distribuidora era uma empresa fechada, controlada integralmente pela Petrobras. A venda, iniciada em 2019, foi feita em três movimentos: 1) IPO, com venda de 30% da companhia, que passou a ser listada em bolsa; 2) Follow on, no qual a Pretrobras vendeu mais 32%; 3) uma segunda oferta, na qual foi vendida a participação remanescente, de 37,5%. Todo o processo ocorreu em dois anos.

O follow on tem regras definidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a venda é coordenada por um grupo de bancos contratados. A grande vantagem é a rapidez e transparência do processo. A Braskem é uma boa companhia, o melhor ativo do grupo Odebrecht, que saiu dilacerado do escândalo de corrupção revelado pela Lavo Jato (que teve grandes executivos da Petrobras como protagonistas das fraudes).

O momento atual do mercado, com excesso de liquidez internacional, é especialmente favorável à oferta de ações de uma empresa atraente como a Braskem. Por isso há uma preocupação em aproveitar a janela de oportunidades que ainda estão escancaradas. Mas, a decisão final não depende somente da Novonor ou da Petrobras. Mais do que os dois grandes acionistas, são os bancos credores o principal fórum de decisão.

Procuradas, Petrobras, Braskem e Novonor não comentaram.

 

Este texto foi publicado no Broadcast+ no dia 26/11/21, às 17h47.

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