Petrobras prepara captação de R$ 3 bilhões em debênture incentivada

Cynthia Decloedt

19 de maio de 2020 | 04h20

Logo da Petrobras em frente a um de seus prédios corporativos. Crédito da foto: REUTERS/Paulo Whitaker

 

São Paulo, 19/05/2020 – Em meio à crise, Petrobras prepara captação de R$ 3 bilhões em debêntures incentivadas, títulos de dívida isentos de imposto de renda ao investidor, que deve chegar ao mercado esta semana. O papel a ser lançado pela petroleira deve ficar na carteira do Itaú BBA, BB Investimentos,  Safra e Santander, que são os coordenadores da operação. Entretanto, se houver demanda no mercado secundário para os títulos, pelo menos uma parte pode ser vendida. Formado basicamente por investidores pessoas físicas, o mercado de debêntures incentivadas, tem tido alguma demanda por papéis. Já no de debêntures tradicionais, no qual os principais compradores são as gestoras independentes e assets, o apetite por novas operações segue nulo, na esteira da turbulência e resgates de cotas na esteira do novo coronavírus.

Bom negócio. O modelo, de distribuição de oferta diretamente no mercado secundário, foi testado na semana passada com uma emissão de R$ 800 milhões em debêntures incentivadas de 10 anos da Rumo Logística. O BTG Pactual foi o coordenador líder, tendo também Itaú BBA e o Banco Safra na operação, ou seja, as debêntures foram para o balanço das três instituições. A remuneração paga pela empresa aos bancos na emissão da debênture foi de 6,80%. No secundário, os papéis foram vendidos em torno de 5,40%. O BTG, que deu garantia de subscrição de 50% do total de R$ 800 milhões, vendeu 5% do que levou. O Itaú BBA, que deu garantia a 25% do montante da emissão, vendeu praticamente tudo no secundário.

De olho. A Petrobras esperava a divulgação do balanço, na semana passada, para dar andamento à operação. A estatal amargou prejuízo de R$ 48,5 bilhões no primeiro trimestre, após lucro de R$ 4 bilhões no mesmo período do ano passado. Apesar do número e da queda da demanda do petróleo, os analistas gostaram do fato de a petroleira ter ajustado o valor de seus ativos a uma commodity mais baixa. O conjunto da operação da Petrobras foi deteriorado em R$ 65,3 bilhões, o que pesou no resultado final do trimestre. Procurados, os bancos e a Petrobras não retornaram, enquanto o BTG Pactual não comentou.

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