Piora nos resultados da Oi Móvel pode impactar acordo de venda de R$ 16,5 bi

Piora nos resultados da Oi Móvel pode impactar acordo de venda de R$ 16,5 bi

Circe Bonatelli

14 de maio de 2021 | 05h00

A deterioração nos resultados da Oi Móvel acendeu o sinal de alerta entre investidores – e a concorrência. Isso porque o acordo de venda da operadora para o consórcio formado por Vivo, TIM e Claro, por R$ 16,5 bilhões, prevê a manutenção de seu desempenho operacional e financeiro no segmento de telefonia e dados móveis, até que a transação seja concluída. Caso contrário, o valor do negócio, amarrado em dezembro, será revisto para baixo. Porém, a Oi Móvel começou o ano com dificuldades. O investimento em redes móveis foi cortado em 29%, enquanto o aporte total do grupo cresceu 4% (com prioridade em fibra ótica, a nova aposta da companhia).

Já a receita móvel no primeiro trimestre caiu 6,3% ante o mesmo período de 2020. No ano passado, porém, ainda não havia o impacto da pandemia. A receita, também caiu 7,8% em relação ao quarto trimestre de 2020, quando a crise sanitária já era realidade.

A Oi afirmou que a queda na receita ocorreu principalmente entre clientes pré-pagos, que deixaram de fazer recargas com o fechamento do comércio e o fim do auxílio emergencial do governo. Por outro lado, disse ter sido capaz de ampliar a base de assinantes móveis em 4,3%, com muitas adições de pós-pagos.

Desempenho operacional preocupa


O risco da operação é a deterioração nos resultados da Oi Móvel se agravar nos próximos meses. A conclusão da venda depende de aval da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) – o que deve acontecer só no fim de 2021 ou no começo de 2022, se não houver complicação.

O assunto foi motivo de questionamentos na teleconferência com investidores e analistas realizada na manhã de quinta-feira, 13. O presidente da Oi, Rodrigo Abreu, afirmou que não há motivos para preocupações sobre eventuais quebras de compromissos estabelecidos entre a tele e o consórcio. Segundo ele, o andamento dos negócios está dentro do planejado e não é esperada nenhuma mudança no valor fechado de R$ 16,5 bilhões.

As oscilações trimestrais da Oi Móvel não são tão relevantes para o desfecho da transação, para quem acompanha a área. O acordo de venda abrange a carteira de clientes, os espectros para trânsito dos sinais e as torres – ativos fixos, que não sofrem alteração por desempenho.

Diante das dúvidas, investidores puniram a Oi. As ações ON (com direito a voto) da tele, que são as mais negociadas, caíram ontem 7,06%, enquanto o Ibovespa subiu 0,83%. As dúvidas devem continuar rondando a Oi nos próximos meses. A tele não tem necessidade nem obrigação de fazer qualquer provisionamento antecipado diante de potenciais riscos de descumprimento das obrigações de desempenho, que só são apuradas na data do fechamento da transação. Procurada, a Oi não fez comentários adicionais aos da teleconferência.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 13/05, às 18h27.

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