Porto Seguro quer dobrar número de clientes em cinco anos

Porto Seguro quer dobrar número de clientes em cinco anos

Aline Bronzati

16 de abril de 2021 | 10h09

O presidente da Porto Seguro, Roberto Santos. Foto: Fernando Martinho/Divulgação.

A Porto Seguro quer deixar de ser vista apenas como uma seguradora. Conhecida por sua liderança isolada no ramo de automóveis no Brasil, a companhia da família Garfinkel está se reposicionando para dobrar a base de clientes, hoje com 8,5 milhões de pessoas, em cinco anos e ser reconhecida como um “ecossistema de proteção”.

A marca não é uma meta, explica o presidente da Porto Seguro, Roberto Santos, mas uma espécie de mantra para conduzir a empresa nos próximos anos. Fundada em 1945 e adquirida, em 1972, pelo empresário Abrahão Garfinkel, a companhia está debruçada na nova estratégia, desenhada com a chegada de Roberto Santos na presidência da companhia, em 2018. Com a Porto perto de alcançar oito décadas de vida, a gestão atual viu a necessidade de ir além e recebeu o respaldo da nova geração da família, com a chegada de Bruno Garfinkel no colegiado, em 2019.

“Temos um pré-sal dentro de casa, uma marca poderosa e só 1,36 produto por cliente”, afirma o presidente da Porto Seguro, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast. Espaço não falta. A companhia tem hoje um leque de 20 produtos. Em paralelo, quer ampliar sua base. “Podemos dobrar o número de clientes em cinco anos”, diz, enfatizando a frase que, segundo Santos, conduzirá a Porto à frente.

Se não chegar nos 17 milhões – a Porto caminha para ter 9 milhões de CPFs – , alcançar a marca dos 15 milhões já estará de bom tamanho desde que acompanhada de uma aprimoramento da oferta de produtos e serviços, em especial, com uma alavanca digital, afirma o executivo. O passo é um movimento além, explica, após a divisão da companhia em quatro eixos de negócios: seguros, negócios financeiros, saúde e serviços.

Empresa vê maior crescimento fora dos seguros, que ainda são fortes

Aquisições estão na mira da Porto Seguro, que olha oportunidades com atenção, mas o foco é exponenciar o potencial dentro de casa, de acordo com Santos. O maior crescimento virá, afirma, das verticais não seguro. Na prática, porém, não significa que a Porto deixará seu principal negócio de lado, explica o executivo, rapidamente.

Nesse sentido, diz, a companhia está reforçando sua prateleira com novos produtos com ‘pegada digital’ e ainda a distribuição nos canais virtuais. O primeiro da família é o Bllu, um seguro de automóvel por assinatura, gerido pela marca Azul Seguros. A ideia é levar o mesmo conceito a outros segmentos.

No front digital, a Porto Seguro prepara o lançamento de um super aplicativo neste ano. O objetivo é integrar os apps atuais e, consequentemente, os clientes, em um único canal. O projeto está em gestação há cerca de quatro meses e, por ora, contempla os segmentos de cartão de crédito, automóvel e seguro residencial.

Além do seguro, a Porto que reforçar os braços financeiro e de serviços, no qual se especializou nos últimos anos, e ampliar sua presença na saúde privada. Neste último, a ideia é crescer num ritmo de 30% a 40% por ano, caminhando para ultrapassar a marca de um milhão de vidas em cinco anos e indo além do eixo Rio-São Paulo, explorando as regiões do Sudeste e Sul do País. “Saúde é um capítulo à parte. Temos foco específico nisso”, afirma o presidente da Porto.

Na visão do banco norte-americano Citi, a nova estratégia da Porto deve ajudar a empresa a acelerar as receitas e melhorar a fidelidade dos clientes. “Assim, tornará o negócio menos dependente do desempenho do segmento de automóveis”, avaliam os analistas do Citi Jörg Friedemann, Gabriel Gusan e Karina Salva Martins, em recente relatório ao mercado.

O esforço para crescer além do automóvel, seguro em que é líder com 30% de mercado, já rende frutos à Porto. O peso do principal negócio em suas receitas se reduziu de 60% em 2014 para cerca de 54%, com o empurrão, principalmente, vindo do financeiro e da área de saúde.

Como o cenário de curto prazo é desafiador, diante do pior momento da pandemia no Brasil, a Porto Seguro conseguiu sinalizar um horizonte positivo no médio prazo, na opinião da casa de análise Eleven Financial. “Acreditamos que a maior parte do crescimento deva vir dos segmentos de saúde com grande potencial de expansão, principalmente em pequenas e médias empresas e serviços financeiros”, dizem a analista Renata Cabral e o diretor de renda variável da Eleven, Carlos Daltozo.

Dentro da estratégia de ser reconhecida além do seguro, a Porto está reforçando a sua marca em vários horizontes. Recentemente, segregou a área de marketing, antes sob os cuidados do CEO do grupo. Por sua vez, Santos passou a acumular outra função: a diretoria de Relações com Investidores. A ideia é ter um contato mais fluído com o mercado uma vez que ele é a ponte entre o negócio e o Conselho de Administração da seguradora. “Está vendo! Não somos só uma seguradora. Vamos mostrar que somos muito mais do que uma seguradora”, diz o presidente da Porto Seguro.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 09/04, às 15h37.

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