Prédios corporativos de São Paulo têm mais devoluções do que locações em junho

Prédios corporativos de São Paulo têm mais devoluções do que locações em junho

Circe Bonatelli

17 de julho de 2020 | 05h00

Prédio em obra mostra expansão do mercado imobiliário. Crédito da foto: Rafael Arbex / Estadão

Prédios corporativos são mais resilientes na crise. Crédito da foto: Rafael Arbex / Estadão

O mercado de edifícios corporativos classe A de São Paulo teve, em junho, mais áreas devolvidas do que alugadas. A diferença foi de 10,1 mil m², de acordo com levantamento da consultoria imobiliária Cushman & Wakefield. Foi o pior mês para o mercado corporativo paulistano em 2020. Até então, havia sido registrada diferença negativa em março – de apenas 1,3 mil m². No acumulado do semestre, houve absorção positiva de 57,5 mil m². O movimento indica que o apetite por escritórios nas regiões nobres esfriou, mas não cessou.

O mês de junho teve dezenas de entradas e saídas, mas duas pesaram negativamente no saldo. O grupo supermercadista Dia desocupou 4 mil m² no edifício Birmann 21 (antiga sede da Editora Abril) na Marginal Pinheiros e se mudou para um imóvel mais barato. A multinacional de agronegócios Monsanto saiu de uma área de 5 mil m² na Torre Norte do Centro Empresarial Nações Unidas, complexo que fica entre a Berrini e a Marginal Pinheiros.

Pedidos de renegociação de aluguel têm crescido

O coordenador de Inteligência de Mercado da Cushman & Wakefield, Jadson Andrade, diz que a pandemia começou a pressionar o setor. Empresas em dificuldades financeiras têm pedido renegociação dos valores do aluguel e, aquelas mais apertadas, têm começado a se mudar para endereços mais em conta. Há também estudos envolvendo a adoção do home office por um período prolongado, o que diminui a necessidade de espaços.

Por outro lado, Andrade afirma que esses efeitos negativos ainda são incipientes e limitados. Nessas regiões, a maioria das empresas são grandes e têm caixa para atravessar a crise. Em outros casos, as rescisões nos contratos de locação e as mudanças de endereço são custosas para as inquilinas, por isso não há uma debandada em massa. Além disso, algumas empresas precisam estar em locais nobres para atender clientes e reforçar marcas, mas há poucos imóveis vagos dessa categoria à disposição. Esses fatores ajudam os empreendimentos corporativos a suportarem a crise melhor do que outros setores imobiliários.

Antigo prédio da Nestlé ficou disponível e aumentou área para aluguel

A taxa de vacância em São Paulo atingiu o patamar mais alto do ano em junho, fechando em 18,2%, ante 16,7% em maio. Além das áreas devolvidas no mês, a quantidade de espaços vagos subiu em decorrência da entrada de novos edifícios no mercado. O River View Corporate Tower (antigo Nestlé Building) terminou de passar por um retrofit e voltou a ficar disponível, agregando ao estoque 43,6 mil m².

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