Prefeito da City londrina se reúne com bancos do País para discutir finanças verdes

Prefeito da City londrina se reúne com bancos do País para discutir finanças verdes

Célia Froufe

27 de abril de 2022 | 05h10

Keaveny é, na prática, embaixador do setor de serviços financeiros Foto: REUTERS/Tom Nicholson

De olho nos mercados de fintechs, finanças verdes e inovação tecnológica, o prefeito da City londrina, Vincent Keaveny, chega ao Brasil na semana que vem para encontros com representantes dos maiores bancos com atuação no País, fundos de pensão e da área de regulação do Banco Central. “Estes assuntos estão todos conectados”, afirmou em entrevista exclusiva ao Broadcast o mais novo administrador da região e que tem, na prática, uma função de embaixador internacional do setor de serviços financeiros.

Na agenda de quinta e sexta-feira (5 e 6 de maio) do prefeito, estão reuniões com Bradesco, Santander, Itaú, Banco do Brasil, técnicos do Banco Central e executivos da área de fintechs. Todas ocorrerão em São Paulo. “A cidade foi escolhida porque é uma viagem focada nos negócios. Desta vez, não vamos a Brasília para encontros políticos e de governo”, disse, acrescentando que um de seus objetivos é fazer uma ponte entre atores dos dois países.

O prefeito da City salienta que o mercado de fintechs de Londres é o segundo maior do mundo, atrás de Nova York, e que US$ 38 bilhões foram destinados ao setor no ano passado. “É uma enorme soma. Pessoas estão vindo de todas as partes do mundo para começar a fazer negócios em escala em Londres, assim como em Nova York e Vale do Silício. Esses são lugares para se estar se você estiver procurando escala para seus negócios”, observou. Ele se disse surpreso com a grande quantidade de unicórnios no Brasil.

‘Finanças verdes são mercado-chave para o futuro’

Ao mesmo tempo em que promete passar a expertise da City nos negócios de fintechs para o mercado brasileiro, buscará atrair investimento dos fundos de pensão do Brasil. Principalmente na área de finanças verdes. “Este é o mercado-chave para o futuro. Temos que encontrar um caminho para mobilizar o mercado. Uma coisa que pretendo salientar é o custo de se fazer negócios que não são verdes, sustentáveis”, disse. “Acho que o Brasil tem uma tremenda fonte de recursos naturais. Vocês têm escopo para projetos de finanças verdes. Por isso queremos conversar com os bancos brasileiros”, continuou.

A City, que é o centro financeiro de Londres, vem tentando se tornar uma referência para os negócios sustentáveis. O maior mercado da Europa passa por uma grande transformação por causa da pandemia e do Brexit, como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia (UE). De acordo com Keaveny, o surto teve mais impacto sobre os negócios locais do que a separação do bloco comum. O prefeito garantiu que a região no coração da capital britânica não perdeu, mas ganhou postos de trabalho desde o Brexit. Isso, segundo ele, graças à evolução tecnológica, que acabou gerando mais postos de trabalho do que os encerrados com a separação.

Pandemia causou mais estragos que Brexit

Para Keaveny, a maioria das instituições financeiras já promoveu os ajustes necessários ao Brexit. As expectativas eram que de 70 mil a 100 mil empregos seriam atingidos severamente com o divórcio, mas ele assegurou que “dezenas de milhares” de empregos foram criados com fintechs e outras atividades. “Não vimos um significativo impacto do Brexit na City porque a inovação tecnológica mais do que compensou esse movimento. Tudo hoje é sobre tecnologia da informação, e o Brexit é um problema analógico num mundo digital”, avaliou.

Já os estragos causados pela pandemia foram mais fortes. De acordo com ele, as consequências geradas pelo surto serão permanentes em todo o centro financeiro do mundo. “Pessoas estão indo de duas a três vezes por semana ao trabalho, então há uma reengenharia dos espaços, criação de locais colaborativos de trabalho”, citou.

De um centro vibrante e com muita movimentação de pessoas, a região chegou a parecer uma cidade fantasma durante o momento mais grave do surto. Agora, conforme o prefeito, a Square Miles voltou a mostrar a energia anterior, com um novo uso dos espaços da região e a procura por seus famosos bares e restaurantes para fechamento de negócios. “O que não mudou na City foi o fato de se sentar num bar ou restaurante e ter a conversa cara a cara para fechar um negócio.”

Outro impacto gerado com o coronavírus destacado pelo embaixador foi a diminuição do comércio internacional de bens e serviços. Apesar de não tratar diretamente das negociações entre o Reino Unido e o Mercosul (que corre de forma paralela às tratativas do bloco do Sul com a UE), Keaveny disse que o tema acabará sendo permeado com as instituições financeiras durante sua visita ao Brasil. “Sou um defensor de que mais comércio internacional de bens ou serviços é melhor para ambos os lados, pois isso faz a economia crescer. Temos que encontrar caminhos porque automaticamente isso melhora padrões e fazem companhias e países mais promissores ao redor do mundo”, observou.

Sobre a guerra no Leste Europeu, entre Rússia e Ucrânia, o prefeito da City ressaltou o empenho de Londres em atuar com sanções junto com outras comunidades internacionais. “Muitas vezes, foi uma decisão muito dura a ser tomada. Envolve muito dinheiro”, comentou. Ele evitou, no entanto, fazer uma análise sobre a decisão do Brasil de não apoiar sanções à Rússia. “A embaixada e a equipe do primeiro-ministro (Boris Johnson) com certeza estão fazendo estão fazendo esse trabalho com o Brasil para que se junte às sanções internacionais.”

 

Este texto foi publicado no Broadcast no dia 26/04/22, às 09h22.

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