Próximas ofertas de ações chegarão com valor mais justo, prevê Eduardo Miras, do Citi

Cynthia Decloedt

30 de junho de 2021 | 13h09

A tendência de alta da taxa Selic assumida recentemente pelo mercado deve contribuir para que, a partir de julho, as novas ofertas de ações sejam apresentadas aos investidores em patamares mais justos de preço, se comparados aos da janela anterior de ofertas, em abril e maio, avalia o responsável pelo banco de investimento do Citi Brasil, Eduardo Miras.

A perspectiva de a Selic chegar a 6,5% ao final do ano, conforme projetam agentes do mercado, acima da expectativa anterior de 5,5%, não deve limitar, porém, o apetite dos investidores para as ofertas em bolsa, na opinião do executivo do Citi. “As movimentações de alta do juro aqui e no exterior já estão precificadas pelo mercado e o juro real continua negativo, portanto, a busca por ativo real, como de bolsa, vai continuar, especialmente porque a economia está reagindo e isso impacta positivamente as empresas”, observa.

Pelo menos R$ 40 bilhões em ofertas devem chegar à Bolsa nesta próxima safra, um recorde, considerando que a marca anterior foi batida na safra em fevereiro, quando as empresas captaram R$ 33 bilhões. O maior IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) previsto é o da Raízen, do Grupo Cosan, com expectativa de movimentar R$ 10 bilhões. A oferta subsequente da BR Distribuidora hoje, que marca a saída da Petrobras da companhia, deve movimentar mais de R$ 11 bilhões.

Para ele, a alta do juro impacta, do ponto de vista teórico, o valor das empresas (valuation), a depender do setor. “Talvez alguns dos traumas da última janela resultem em uma safra de maior sucesso agora, com as ofertas chegando com um preço mais justo, com os agentes mais racionais”, afirma em conversa com o Broadcast.

Miras lembra que na temporada anterior, para tornar as ofertas mais atraentes, foi necessário reduzir o preço de várias ofertas entre 15% e 20%. “Acho que no lançamento das transações, os valuations estarão mais adequados para a formação de um ciclo virtuoso, com geração de atenção competitiva e livros de ordens mais robustos ao longo da apresentação da oferta ao mercado”, pontuou o executivo. A ideia é que, como consequência, os preços possam melhorar dentro da faixa indicativa e não cair, como aconteceu na janela anterior, segundo ele.

Na segunda janela do ano, embora houvesse muito entusiasmo, o fechamento do comércio e as restrições por conta da pandemia, aliadas à crise política, causaram aversão ao risco e o corte de preço de várias operações. Muitas empresas preferiram retirar suas ofertas, já durante o período de apresentação das mesmas ao mercado. Mais de R$ 10 bilhões em novas ofertas (IPOs) foram suspensas.

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