Rede D’Or São Luiz vai investir R$ 8 bi para aumentar leitos em 60%, em quatro anos

Rede D’Or São Luiz vai investir R$ 8 bi para aumentar leitos em 60%, em quatro anos

Denise Luna

05 de fevereiro de 2020 | 14h11

Divulgação

 

De um lado, o colapso da rede pública de saúde. De outro, investidores ávidos em procurar alternativas que possam oferecer rentabilidade mais que a renda fixa. O resultado é que a Rede D’Or São Luiz não vê restrição de recursos para seu ambicioso plano de expansão. Nos próximos cinco anos, a Rede vai investir R$ 8 bilhões para aumentar a oferta de leitos no País em 57% – de sete mil para 11 mil.

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Depois de captar US$ 850 milhões em bônus, o caminho está aberto para outras emissões de papéis, segundo o vice-presidente do grupo, Maurício Lopes. A aposta é que o crescimento da economia vai gerar mais empregos – e, com eles, mais planos de saúde. Também entram na conta o processo de envelhecimento da população, mais dependente de assistência médica.

“Fazer a oferta de um bônus de 10 anos em dólar fora do País e ter a demanda do jeito que a gente teve (US$ 4 bilhões) é sinal de que tem interesse no Brasil. Todo mundo está acreditando que o País volta a crescer”, disse Lopes, dias depois da operação. “Se necessário for, vamos ao mercado de novo.”

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Há 18 anos na área, Lopes chegou à Rede D’Or São Luiz a tempo de participar da operação de compra de 10% da Qualicorp, maior administradora de planos de saúde do País, fundamental para a estratégia do grupo. “Vemos a Qualicorp com um otimismo gigantesco, com grandes planos para o crescimento da empresa”, disse Lopes. “Quando o País e os empregos voltarem a crescer, esse tipo de distribuição qualificada e pulverizada, como o da Qualicorp, vai trazer crescimento.” Para ele, a posição de 10% suficiente e “confortável”.

Investimentos.

Para avançar na oferta de leitos, o grupo aposta no crescimento orgânico e em aquisições, baseando-se na relação da população com os hospitais já existentes nos locais onde se instalam. Outra tática é o ganho de escala para reduzir custos e a separação da parte administrativa da assistencial, o que costuma se traduzir em 20% mais de espaço para os clientes.

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“Abaixo de 100 leitos, o hospital tem muita dificuldade de se viabilizar economicamente”, diz. “O nosso caminho é encontrar ativos, reformar, incorporar tecnologia, capacitar o corpo clínico, trazer médicos qualificados, e integrar com a população local.”

Novos projetos

Só de projetos já em andamento, que vão utilizar os recursos da emissão, Lopes calcula um aumento de oferta de cerca de mil leitos, sendo 800 apenas em São Paulo, onde a marca mais conhecida do grupo é a São Luiz. Estão sendo construídos um hospital em Campinas (SP), uma maternidade próxima ao Hospital São Luiz Itaim (que também passará por expansão) e uma unidade em Santo André (SP).

Na Bahia, o tradicional hospital São Rafael está passando por modernização e vai oferecer 200 leitos, mantendo o nome por conta da ligação com a cidade de Salvador. O grupo avança também no Sul, com a aquisição recente da Paraná Clínicas e o Hospital Santa Cruz, em Curitiba (PR). No momento, a empresa ainda negocia ativos no Nordeste, informou ele sem dar detalhes.

Já no Rio de Janeiro, o grupo tem 17 hospitais e é mais conhecido como Rede D´Or. A grande inauguração deste ano será na Glória, zona sul da cidade, onde antigamente funcionava a Beneficência Portuguesa, adquirida em 2013 pelo grupo em leilão judicial. Com investimento de R$ 300 milhões, o Gloria D’Or será o maior da rede na cidade, com 500 leitos e mais de cinco mil empregos.

Além do hospital, o projeto inclui o Instituto D’OR de Pesquisa e Ensino (IDOR), que tem linhas de pesquisa voltadas para neurociência, medicina intensiva, oncologia, pediatria, dentre outras. O local também será o novo endereço da Faculdade IDOR de Ciências Médicas. A primeira etapa está prevista para ser inaugurada em março, uma área de 46 mil m2. “Tem demanda na cidade. A gente inaugurou o Niterói D’Or e já está com mais de 100 leitos ocupados e compramos duas unidades da Perinatal (maternidade)“, afirmou.

Para o coordenador do curso de Especialização em Administração Hospitalar e de Sistema de Saúde (FGV EAESP), Walter Cintra, existe realmente uma demanda reprimida por rede hospitalar no País, dependendo do segmento e da praça que se pretende atender. Segundo ele, a Rede D’Or acerta ao apostar no ganho de escala para se consolidar no mercado, o que vem sendo cada vez mais usado por operadoras de saúde para reduzir custos.

“O hospital é um equipamento extremamente caro, usa muita tecnologia, e a escala faz toda diferença”, diz Cintra. “Em um momento em que as operadoras vêm se consolidando com a abertura de hospitais próprios, a Rede D’Or faz o caminho inverso verticalizando o serviço, é uma maneira de dominar todo o processo.”

Segundo ele, a consolidação no mercado de saúde continuará a passos acelerados, “seja de prestadoras, seja de laboratórios como o Dasa, Fleury, Hermes Pardini. Do lado dos hospitais, a Rede D’or é o grande exemplo de consolidação”.

Notícia publicada no Broadcast no dia 30/01/2020, às 14:52:43

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