Redpoint prepara-se para vender participações em 48 empresas e fechar portas

Redpoint prepara-se para vender participações em 48 empresas e fechar portas

Matheus Piovesana, Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior

10 de abril de 2022 | 05h20

Entregador do Rappi, empresa na qual a gestora tem participação  Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A Redpoint eventures deve iniciar, sem data marcada, a venda de participações que detém em 48 empresas, como Rappi, Gympass, Creditas e Tembici. Com isso – e a saída dos fundadores – a gestora de venture capital fechará as portas, também num prazo indefinido. Nesse tipo de aporte, os recursos de investidores são aplicados em companhias consideradas promissoras. Com seu crescimento, as gestoras vendem suas fatias e saem dos negócios. É o chamado ciclo de desinvestimento, que se inicia para a primeira gestora brasileira que atuava em cooperação com empresas do Vale do Silício desde 2012. O movimento começa simultaneamente à ida, anunciada quinta-feira, de Anderson Thees e Manoel Lemos para o Itaú, com a missão de aproximar o banco de startups e empreendedores.

Os dois eram sócios da startup ao lado de Romero Rodrigues, que se associou à XP em fevereiro para captar um novo fundo de características similares aos constituídos na antiga casa, por meio da gestora Headline. Os dois fundos da gestora encerraram as captações e a gestão vai continuar a ser feita até o fim do ciclo de desinvestimento pela Redpoint.

O fundo II, mais novo, deverá se manter ativo até pelo menos 2028. Já o I, que deveria se encerrar neste ano, tende a se estender um pouco mais. Os dois fundos somam US$ 300 milhões. As saídas das empresas devem seguir as condições favoráveis de mercado e acontecerem independentemente da bolsa.

Itaú e startups

O projeto do Itaú ainda está em discussão, mas a ideia é aproximar o banco de startups e empresas inovadoras, em iniciativa paralela ao investimento do braço de atacado do conglomerado, o BBA, no universo tech. Pedro Prates, cofundador e líder do Cubo Itaú, também participará da iniciativa.

No ano passado, a Redpoint decidiu não levantar um terceiro fundo, por divergências dos sócios em relação à estratégia de condução dos negócios. Com isso, os sócios anunciaram que seguiriam em novas empreitadas, agora definidas.

O projeto que Thees e Lemos desenharão no Itaú é parte do esforço da gestão do presidente do Itaú, Milton Maluhy, para aproximar o maior banco da América Latina de iniciativas inovadoras. Os dois gestores, com 20 anos de experiência em investimentos em empresas, vão dialogar com agentes do mercado, de investidores a empreendedores.

Anderson Thees foi um dos criadores da Redpoint em 2012, após passagens como investidor na Eccelera e em corporate venture na Naspers. Ele também faz parte do conselho da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP). Lemos chegou em 2014, após chefiar a tecnologia da Hypercom Latin America.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 08/04/22, às 13h25.

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