Regras da CVM para lives tiram o sono de profissionais de relações com investidores

Regras da CVM para lives tiram o sono de profissionais de relações com investidores

Mariana Durão

28 de agosto de 2020 | 05h20

Executivos devem cumprir determinações legais nas lives. Foto: Stephanie Leqocq/Pool/Reuters

Executivos devem cumprir determinações legais nas lives. Foto: Stephanie Leqocq/Pool/Reuters

O ofício divulgado nesta semana pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) orientando as companhias a divulgar com antecedência a participação de executivos em lives por comunicado “causou” nas áreas de Relações com Investidores (RI) das empresas. Embora a posição oficial do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri) seja de que a orientação é positiva, nos bastidores choveram críticas e dúvidas.

Deu trabalho… Ao menos uma dezena de comunicados ao mercado já foram publicados em decorrência do ofício. A Petrobras informou, às 20h47 da noite de ontem, que vai passar a incluir em seu calendário oficial de eventos corporativos todas as transmissões online que tenham como convidados seu presidente, diretores ou representantes. A agenda é pesada.

…E muito. Já a Movida se apressou em antecipar eventos de 31 de agosto e 4 de setembro. Vix e Kepler Weber publicaram apresentações de apoio. A Wiz descreveu os tópicos que seriam tratados numa live. É que o ofício fala em divulgar “uma relação dos temas a serem discutidos e, quando possível, das perguntas que serão feitas”.

Exagero? As orientações para as lives foram elaboradas pela Superintendência de Relações com Empresas (SEP) da CVM. Ou seja, não refletem necessariamente a opinião do colegiado e de outras áreas da autarquia. Dentro e fora da casa há quem veja um certo exagero ,pois o princípio de “full and fair disclosure” (transparência e divulgação equitativa) não equivale a divulgar tudo, mas informações relevantes.

Resposta. A SEP reiterou que o ofício não inova em relação às obrigações previstas na Lei das S.A. e nas instruções da CVM. A superintendência afirma que “as orientações pretendem fomentar, ainda mais, a divulgação de informações societárias de forma coerente com as melhores práticas de governança, visando à transparência e à equidade no relacionamento com os investidores e o mercado”.

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