Renegociações de dívida aumentam, mas acordos não devem ser cumpridos

Renegociações de dívida aumentam, mas acordos não devem ser cumpridos

Cynthia Decloedt

24 de junho de 2020 | 05h15

Público aguarda para realizar o saque emergencial de R$ 600, que será suspenso. FOTO: WILTON JUNIOR / ESTADÃO

Os acordos para renegociação de dívidas devem seguir aquecidos no segundo semestre, mas os pagamentos devem deixar de ser honrados. Essa é a expectativa de Dilson Sá, CEO plataforma de renegociação e pagamento de dívidas Acordo Certo. Em um primeiro momento, a plataforma viu o número de acordos crescer exponencialmente. De uma média de 140 acertos fechados ao mês até março, a marca foi a 320 em abril e 350 em maio. De 16 de março até meio de junho, o volume financeiro renegociado foi de R$ 319 milhões.

Fim de auxílio emergencial e desemprego em alta impedirão cumprimento de acordos

O auxílio-emergencial e a manutenção de empregos foram fatores que motivaram as pessoas físicas a renegociar dívidas. A pandemia pegou também muitos varejistas e prestadores de serviços despreparados para realizar cobranças digitalmente, o que contribuiu para o aumento dos acordos. Na lista de novos clientes da plataforma, que conta com R$ 50 bilhões em créditos disponíveis à renegociação, estão Itaú Unibanco, Renner e a Vivo. Nos primeiros seis meses de 2020, a Acordo Certo já fechou 3 milhões de acordos e espera encerrar o ano com 5 milhões.

O fim de alguns programas de socorro para a pandemia, como o auxílio emergencial e a trégua para pagamento de dívida, estão entre os fatores que diminuirão a possibilidade de cumprimento dos acordos. Apesar de as pessoas quererem honrar dívidas, a chamada taxa de conversão em efetivo pagamento é outra história. A Acordo Certo levantou junto a 5 mil pessoas que 43% acham que não conseguirão pagar dívidas e 26% afirmam que o farão depois do prazo. Para mais de metade deles (51%), a pandemia deve ter impacto no orçamento doméstico por mais de seis meses.

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