Representantes de shoppings processam prefeituras por reabertura

Representantes de shoppings processam prefeituras por reabertura

Circe Bonatelli

21 de maio de 2020 | 04h40

A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) prepara uma série de ações na Justiça para cobrar a reabertura dos centros de compras nas cidades onde o comércio de rua já voltou a funcionar. O argumento é que esses municípios estão tratando os lojistas de forma desigual. O presidente da Abrasce, Glauco Humai, diz ainda que os shoppings são mais seguros para os consumidores, pois têm controle do fluxo de visitantes, uso de máscaras e medidas de higiene para conter a propagação do coronavírus.

Alvos. A primeira ação foi movida hoje contra a Prefeitura de Cuiabá (MT). Ali, o comércio de rua reabriu as portas há quase 25 dias, enquanto os quatro shopping centers continuam proibidos de retomar as atividades. As próximas ações serão contra as prefeituras de Aparecida de Goiânia (GO), Vitória e Vila Velha (ES), onde há um total de mais dez shoppings na mesma situação. A Abrasce não moverá ações para reabertura dos centros de compra onde o comércio todo está fechado.

Resposta. A Prefeitura de Cuiabá disse compreender a reivindicação e ter trabalhado para que a retomada de cada uma das atividades aconteça de forma segura. Além disso, afirmou que segue avaliando a evolução da pandemia para que essas decisões sejam tomadas no momento certo. Cuiabá concentra hoje 30% dos casos de coronavírus de Mato Grosso. No início de abril, eram 63% do total. Porém, isso não significa que a cidade voltou a viver uma situação de normalidade, e o cenário ainda inspira cuidados, segundo a prefeitura.

Aos poucos. O País atingiu nesta quarta-feira, 20, a marca de 99 shoppings reabertos no País de um total de 577 estabelecimentos, segundo a Abrasce. Dez voltaram a funcionar hoje, dos quais nove só na cidade de Porto Alegre, onde a prefeitura publicou decreto autorizando a volta das atividades em shoppings, bares, restaurantes e museus, entre outros locais. Há exatamente um mês, o País tinha apenas 43 shoppings em funcionamento. Já no começo de abril, todos estavam fechados para evitar a propagação do covid-19.

Aqui não. Nenhum shopping foi reaberto oficialmente até agora no Estado de São Paulo, que tem 182 estabelecimentos e concentra um terço do mercado nacional. O Estado também é o mais afetado pela pandemia de coronavírus, com 5.147 mortes até o momento. O decreto do governo paulista prevê restrição à atividade do comércio ao menos o fim deste mês.

Fugidinha. Mesmo assim, alguns empreendimentos voltaram a funcionar à revelia da proibição pelo governo estadual, caso do shopping de Barretos (SP). Sem propaganda, de modo discreto, os pequenos lojistas reabriram as portas, enquanto grandes redes como Marisa, Renner e Riachuelo seguem fechadas para vendas. A Abrasce não contabiliza esses shoppings em sua contagem de estabelecimentos reabertos.

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