Roberto Fendt deve deixar Secretaria Especial de Comércio Exterior do Ministério

Roberto Fendt deve deixar Secretaria Especial de Comércio Exterior do Ministério

Lorenna Rodrigues

01 de junho de 2022 | 05h30

Roberto Fendt, atual secretário Especial de Comércio Exterior   Foto: Gustavo Raniere/ME

O secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Roberto Fendt, deve deixar o cargo nas próximas semanas, de acordo com fontes ouvidas pelo Broadcast. O atual secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, deve assumir o cargo.

Segundo o Broadcast apurou, a transição já vem sendo preparada e não tem relação com a promessa do presidente Jair Bolsonaro, feita na semana passada, de recriar o Ministério da Indústria e Comércio Exterior (Mdic), que foi incorporado, no atual governo, pelo “super” Ministério da Economia de Paulo Guedes.

Na semana passada, Bolsonaro fez a promessa em solenidade da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte, após receber a demanda, nos bastidores do evento, do presidente da entidade, Flávio Roscoe.

Ideia de recriação de Mdic este ano é vista com ceticismo

Como mostrou o Broadcast, a ideia do novo ministério ainda em 2022 é vista com ceticismo no mundo político. Lideranças do Centrão acreditam que o presidente pode até enviar ao Congresso Nacional a proposta de recriação do antigo Mdic ainda neste ano, como um aceno a empresários do setor, mas veem dificuldades de isso caminhar com rapidez no Congresso em ano eleitoral. Ainda assim, possíveis ocupantes para a nova Pasta já são ventilados em Brasília, entre eles o do presidente do Sebrae, Carlos Melles.

A criação e extinção de ministérios tem que ser autorizada pelo Congresso Nacional. A interlocutores, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que só vê possibilidade de ressuscitar a pasta em caso de reeleição de Bolsonaro.

No Ministério da Economia, a ideia de retirar mais uma parte do latifúndio de Paulo Guedes foi recebida com surpresa. Segundo a reportagem apurou, já era esperado, para o ano que vem, a recriação da Pasta em um eventual segundo mandato do presidente, mas não estava previsto nenhum movimento para este ano.

Fontes da área técnica citaram dificuldades burocráticas no desmembramento e a falta de orçamento previsto para a nova Pasta, o que poderia inviabilizar a empreitada ainda neste governo.

Se, por um lado, a volta do Mdic poderia ser um espaço para abrigar aliados e ampliar o espaço do Centrão no governo em ano eleitoral, por outro, Bolsonaro teria o desafio de indicar um interlocutor da política sem interesse eleitoral. A lei veda que candidatos nas eleições deste ano ocupem ministérios a menos de seis meses do primeiro turno, neste ano marcado para 2 de outubro.

A condição eleitoral já afasta, por exemplo, o nome do deputado federal Marcos Pereira (SP), que chegou a circular nos corredores de Brasília nas primeiras horas do dia. Presidente do Republicanos e ex-ministro do MDIC na gestão Michel Temer, ele é pré-candidato à reeleição e não pretende sair da disputa. O nome de Pereira, porém, é citado como um dos mais cotados para assumir o novo ministério em um eventual segundo mandato de Bolsonaro.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 30/05/22, às 15h34

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