Rombo na Tenda gera desconfiança sobre balanço das outras construtoras

Rombo na Tenda gera desconfiança sobre balanço das outras construtoras

Circe Bonatelli

13 de março de 2022 | 05h10

Empresa contabilizou R$ 350 milhões de gastos extras no quarto trimestre. Foto: Werther Santana/Estadao

O gigantesco estouro de orçamento revelado pela Tenda em seu balanço do quarto trimestre de 2021 ligou o sinal de alerta entre analistas e investidores, desconfiados de que outras construtoras possam reportar efeitos negativos da mesma natureza nos próximos dias. A Tenda contabilizou R$ 350 milhões de gastos extras entre outubro e dezembro, montante que corresponde a 20% do seu valor de mercado na véspera da publicação do balanço. No ano, os estouros chegaram a R$ 532 milhões. A pancada veio da disparada nos custos dos materiais, correção de orçamentos futuros para incorporar a inflação maior, e perda de produtividade em meio à revisão dos projetos. A companhia admitiu que não tinha “gordura” para se precaver a custos acima dos previstos.

Queda generalizada

O susto provocou queda generalizada nas ações do setor ao longo da sexta-feira, 11. O Índice Imobiliário (Imob) caiu 5,28%. A maior baixa de toda a Bolsa foi justamente da Tenda (-25,1%). Já no Índice Bovespa, a maior queda foi da MRV (-11,9%), maior construtora residencial do País e também voltada ao Casa Verde e Amarela (CVA), como a Tenda. Outras construtoras do mercado de renda média e baixa também caíram forte: Direcional (-6,8%), Cury (-2,45%) e Plano&Plano (-8,8%).

O diretor de uma concorrente da Tenda  afirmou que o normal no setor de moradias populares (no qual há menos flexibilidade para subir preços) é ter uma boa “gordura” no orçamento. Para ele, a Tenda errou ao fazer um planejamento só com “massa magra”, sem espaço para derrapadas. As demais construtoras podem até reportar alguns poucos milhões de reais em estouros de custos neste momento de inflação exacerbada, mas nada que chegue perto do meio bilhão da Tenda, diz ele.

A Tenda já foi símbolo de explosão orçamentária, atrasos de obra e prejuízos durante o superaquecimento do setor no começo da década passada. A empresa foi comprada pela Gafisa a peso de ouro, mas se revelou um mico. Anos mais tarde, após renovação completa, a empresa se separou da Gafisa, colocou a casa em ordem e voltou a ter resultados que agradavam aos investidores. Até agora.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 11/03/22, às 19h19.

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