Rumo quer 50% de suas captações relacionadas ao tema sustentável

Rumo quer 50% de suas captações relacionadas ao tema sustentável

Cynthia Decloedt

07 de maio de 2021 | 13h27

Com duas captações já feitas desde o ano passado por meio da oferta de títulos relacionados à redução de emissão de gases de efeito estufa, a Rumo, empresa de logística do Grupo Cosan, quer ter pelo menos 50% dessas ofertas atreladas ao tema sustentável.

“Não poderia me comprometer com 100%, porque não temos um mercado tão desenvolvido assim, mas buscamos que as novas emissões tenham um mínimo de 50% em títulos que de alguma maneira sejam conectados a esse viés de sustentabilidade”, disse o vice-presidente financeiro e diretor de relações com investidores da Rumo, Ricardo Lewin, ao Broadcast.

Na sexta-feira, a Rumo fechou uma captação de R$ 1,5 bilhão em sustainability linked debêntures (SLD), com duas séries de R$ 750 milhões cada, uma delas emitida por meio da lei 12.431, de debêntures de infraestrutura, que dá incentivo fiscal ao investidor. Foi a primeira e mais longa oferta de debêntures incentivadas com compromisso de redução de gás efeito estufa. No ano passado, a Rumo havia captado US$ 500 milhões em greenbonds com os recursos direcionados à troca do material rodante (locomotivas e vagões).

Considerando as debêntures, a Rumo passa a ter 30% de seu endividamento abrangente bruto, de R$ 16 bilhões no quarto trimestre, atrelado a compromissos de sustentabilidade.

Com a debênture, a Rumo antecipou para 2023 o compromisso que a empresa havia assumido em seu relatório de sustentabilidade de reduzir 15% da emissão de gás efeito estufa por tonelada de quilômetro útil (TKU) nas suas operações até 2025. “Estamos andando mais rápido e nada mais justo do que rever a meta com um viés mais desafiador”, comentou Lewin.

Embora tenha acelerado o compromisso, Lewin afirma que não está definido se a nova data fará parte do relatório anual de sustentabilidade. “É uma meta desafiadora e por isso estamos estudando ainda a inclusão no relatório de sustentabilidade, mas temos boa assertividade de que será cumprida”, diz.

Locomotivas

Desde a fusão da Rumo com a ALL em 2015, a companhia já reduziu em 26% a emissão de gases de efeito estufa por meio da troca por locomotivas mais modernas e vagões maiores, melhoria das vias para aumentar o desempenho das locomotivas e na construção de pátios de passagens para que os trens fiquem menos parados. A esse porcentual deverá se somar os 15% que a companhia se comprometeu reduzir até 2023.

De acordo com Lewin, todos esses investimentos reduzem o gasto de combustível e, por consequência, a emissão de gases. O executivo cita ainda o investimento em tecnologia para, por exemplo, desligar o motor da locomotiva enquanto parada ou melhorar o tempo de frenagem e aceleração, também contribuindo para a redução do impacto.

A validação de que a emissão do gás efeito estufa está sendo reduzida é feita por consultoria independente e a base de comparação é o quanto a própria empresa libera atualmente em sua operação. Mas a Rumo tem a seu favor o fato de que seu próprio negócio tem impacto positivo no meio ambiente, se considerar que um caminhão, que é o principal meio de transporte de produtos no Brasil, emite seis vezes mais gases, em média, no transporte de uma mesma carga por trem.

Se chegar à redução de 15% do gases de efeito estufa em 2023, a companhia será beneficiada por um corte de 0,25 ponto porcentual no juro pago ao ano aos investidores a partir de 2024. Até 2023, a série de debêntures de infraestrutura remunera o investidor com retorno de 4,77% somado a IPCA. A outra série é remunerada pelo CDI mais um prêmio de 1,79%.

O “gatilho” é o inverso ao modelo que normalmente têm sido utilizado nas operações feitas lá fora, em que a remuneração já é menor na largada e sobe se o compromisso assumido pela empresa emissora não for cumprido. O executivo responsável pelo mercado local de dívida no Itaú BBA, Guilherme Maranhão, que estruturou a operação, conta que não há qualquer impacto financeiro para a empresa ou investidor o fato de o gatilho ser redução ou elevação do juro.

Mas segundo ele, essa é uma estrutura mais adequada ao mercado brasileiro, onde os investidores ainda não estão acostumados com esse tipo de papel e praticamente não existem fundos dedicados ao tema ESG.

Por isso até, segundo ele, o Itaú BBA acabou subscrevendo a maior parte das SLDs emitidas pela Rumo. “À medida que fundos dedicados ESG começarem a aparecer, a ideia é vender parte das SLD para eles. A nossa ideia é incentivar emissões deste tipo e abastecer o mercado que está se formando”, conta.

Segundo Maranhão, embora haja muitos investidores engajados com o tema verde, fundos dedicados ajudam a trazer profundidade a esse mercado, à medida que os gestores acabam se engajados com o esforço da empresa como um todo. “É um investidor que está olhando para além da remuneração do papel e topa diferenciar para, às vezes prazos maiores e taxas menores, considerando o objetivo da companhia”, diz.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 05/05/2020 às 16:48

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