Santander foca na maturação de novos negócios e expansão na América do Sul

Santander foca na maturação de novos negócios e expansão na América do Sul

Aline Bronzati

30 de janeiro de 2020 | 05h24

Foto: Aline Bronzati/Estadão

O Santander Brasil pretende se dedicar, em 2020, a amadurecer novos negócios que lançou nos últimos dois anos. Em paralelo, o banco desenhou um cronograma de exportação da Getnet, de maquininhas, e da sua financeira pela América do Sul enquanto, no forno, prepara lançamentos nas áreas de crédito imobiliário e agronegócios.

“É muito importante consolidar o que temos. Lançamos muita coisa: foram cinco negócios em 2019”, disse Sergio Rial, presidente do Santander, em coletiva de imprensa, na sede do banco, na manhã de ontem, dia 29.

Além de criar uma empresa na área de benefícios corporativos, a Ben, a instituição criou ainda uma plataforma de investimentos, batizada de Pi, uma seguradora digital de automóvel com a HDI e duas plataformas de crédito. Uma delas é voltada a empréstimo pessoal com garantia e outra, à renegociação de operações vencidas e não pagas.

Com os novos negócios, o Santander pode ser considerado, nas palavras de Rial, um ‘banktech’, ou seja, uma mistura de banco com fintech. “É tanto banco quanto fintech”, disse. Para ele, o banco não para e é uma instituição “inconstante, aflita e inquieta”.

Nesse sentido, o Santander prepara lançamentos para 2020, mas em menor quantidade que os feitos nos últimos dois anos. Entre eventuais alvos, está a busca pela ampliação da digitalização do crédito imobiliário, que é baixa, e ainda de uma operação de microcrédito para o pequeno agricultor.

Para o crédito, o Santander vê potencial de crescimento no patamar dos dois dígitos, em linha com a projeção de desempenho (guidance) do banco de elevar seus empréstimos em mais de 10% até 2022. As modalidades que devem servir de gatilho para o banco chegar lá são o crédito consignado, com desconto em folha de pagamentos, financeira e imobiliário. O segmento de cartões, que tem sido alvo da concorrência, de acordo com ele, também deve ser “mais pujante” neste ano.

No ano passado, a carteira de crédito ampliada do Santander teve expansão de 11,8% ante 2018, totalizando R$ 432,549 bilhões. O banco conseguiu crescer em todos os segmentos, inclusive, nas grandes empresas, área que andou de lado no País nos últimos anos por conta da Lava Jato e a crise político econômica. Segundo Rial, o Santander tem se beneficiado da posição em alguns setores como, por exemplo, energia e infraestrutura e também em consumo, que têm demandado mais crédito no País.

De acordo com o Jörg Friedemann, do Citi, o aumento saudável das pequenas e médias empresas durante o quarto trimestre deve ser uma boa indicação de melhor demanda por crédito ao longo de 2020. “A possível aceleração de empréstimos e a baixa alavancagem de pessoas físicas podem ajudar o banco Santander a defender margens em um cenário mais competitivo”, avaliou, em relatório ao mercado.

É com mais crédito e receitas que, conforme Rial, o banco conseguirá compensar a maior concorrência no setor e os impactos regulatórios como as novas regras do cheque especial, que limitaram os juros na modalidade em 8% ao mês neste ano. “São várias coisas (que podem ser feitas para compensar o impacto). Não estamos agindo em função de um teto no cheque especial. O produto sempre foi algo que acreditávamos que deveria evoluir como está sendo evoluído”, disse ele.

A possível aceleração de empréstimos e a baixa alavancagem de indivíduos podem ajudar a defender margens em um cenário mais competitivo.

Quanto ao retorno que o banco espera para 2020, ele não quis fazer uma previsão. Desde que assumiu o comando do Santander, no início de 2016, Rial conseguiu capitanear uma reviravolta na instituição. Um dos frutos foi a melhora da rentabilidade, que saltou de 13,3% ao fim de 2016 para 21,3% em dezembro, possibilitando ao banco galgar o posto de segundo banco mais rentável do Brasil, atrás somente do Itaú Unibanco.

Ao melhorar sua operação, preenchendo lacunas que tinha frente a seus concorrentes, o Santander Brasil também conquistou maior presença na geração de resultados globais do banco. Em 2019, o lucro líquido gerencial do Santander alcançou R$ 14,5 bilhões, expansão de 17,4% em relação ao exercício de 2018. Com tal desempenho, a participação do Brasil no lucro do Grupo Santander subiu de 26% em 2018 para 28% em 2019. Líder em geração de resultados da instituição no mundo, a filial brasileira ganhou ainda mais importância frente às demais regiões.

No quarto trimestre, os resultados do banco garantiram um acerto de projeções para analistas que acompanham a instituição no Brasil. O Santander Brasil reportou lucro líquido de R$ 3,726 bilhões, cifra 9,43% maior que registrada no mesmo período de 2018. O montante ficou em linha com a média de R$ 3,732 bilhões de seis casas consultadas pelo Prévias Broadcast (BTG Pactual, Eleven Financial, Itaú BBA, Goldman Sachs, JPMorgan e UBS).

“O resultado do Santander no quarto trimestre foi positivo com destaque para o crescimento da carteira de crédito em todos os segmentos, rentabilidade de cerca de 21% e inadimplência em um nível baixo”, resumiram os analistas Vinícius Soares e Wesley Bernabé, do Banco do Brasil (BB-BI), em relatório ao mercado.

Apesar disso, as units do Santander Brasil fecharam o pregão de ontem com queda de 1,86%, cotadas a R$ 42,78. O setor bancário tem sofrido na bolsa desde o ano passado em meio à maior preocupação do mercado e dos investidores com a crescente concorrência com fintechs e o impacto para os grandes bancos, cujos lucros podem não crescer este ano ou ficar limitado a um dígito.

“Estamos em janeiro. O Brasil crescendo é positivo para o setor financeiro. Me dá muita certeza de que existe potencial de crescimento no Brasil”, concluiu Rial.

Notícia publicada no Broadcast no dia 29/01/2020, às 20:11:20

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