Secovi-SP observa à distância carta em defesa à democracia

Circe Bonatelli

31 de julho de 2022 | 05h40

Secovi-SP reúne principais empresas de construção civil do País. Foto: Werther Santana/Estadão

 

O Sindicato da Habitação (Secovi-SP) – principal núcleo agregador de empresas imobiliárias do País, no qual reúnem-se incorporadoras, construtoras, corretoras, administradoras de condomínios, entre outros – está observando à distância o manifesto que juntou empresários, acadêmicos e políticos de diferentes lados em defesa da democracia.

O engajamento do Secovi-SP (ou falta dele) destoa de outros momentos tensos da agenda nacional. O Secovi-SP foi a única instituição do setor imobiliário e uma das poucas entidades de classe do País a se posicionarem publicamente a favor do processo do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.

A carta “Em Defesa da Democracia e da Justiça” nasceu na Faculdade de Direito da USP e contou com 3 mil signatários na largada. Após uma semana, a adesão passou de 300 mil assinaturas. Entram aí pesos pesados do ramo empresarial que costumeiramente mexem os pauzinhos em Brasília: a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O presidente Jair Bolsonaro reagiu dizendo que a carta teve tom político e que favorece a candidatura do seu rival, o ex-presidente Lula.

O presidente do Secovi-SP, Rodrigo Luna, conversou com a Coluna do Broadcast sobre o tema. Veja o que ele disse sobre a carta:

Como o Secovi-SP vê a articulação que deu origem à carta?
“O Secovi-SP defende pilares muito claros desde sua concepção há 76 anos. Nós vamos sempre apoiar a democracia, o estado democrático de direito, a livre iniciativa e o trabalho republicano. Sempre. Somos a favor do mercado, de uma sociedade capitalista e que vise, obviamente, à meritocracia. A carta aberta reforça esta pauta. E o Secovi-SP coaduna com todos esses pensamentos”.

Vão assinar a carta?
“Nem fomos chamados a assinar, mas a gente coaduna, obviamente, com todos os pilares que contribuam para um país liberal, capitalista e para uma sociedade mais equilibrada.”

A carta teve tom político?
“Não sei. Estamos vivendo momentos políticos fortes. Umas pessoas dizem que sim, outras que não. Não entramos nesse mérito. Se tiver tom político, é do interesse de cada um. E como entidade, somos políticos, mas apartidários. Trabalhamos a favor do Brasil. O que a sociedade decidir, nós estaremos sempre apoiando, dentro das nossas bases e do nosso alcance.”

Se forem chamados a assinar a carta, vocês vão participar?
“Sempre vamos defender as nossas teses e as políticas públicas favoráveis ao desenvolvimento do Brasil. Como entidade, reunimos pessoas que têm suas preferências políticas, isso é normal em qualquer lugar. Como entidade, defendemos o Brasil. Se tiverem iniciativas políticas, a favor do candidato A, B ou C, o Secovi-SP não estará participando. A gente critica teses, não partidos políticos ou ideologias.”

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