Sem encontrar comprador, Etna fecha lojas e mantém prateleiras vazias

Sem encontrar comprador, Etna fecha lojas e mantém prateleiras vazias

Talita Nascimento e Cynthia Decloedt

11 de março de 2022 | 05h15

Antiga loja da Etna na Marginal Tietê, que deu lugar a um atacarejo Foto: Paulo Pinto/AE

Fechando lojas desde o ano passado, a Etna vive um momento melancólico de sua operação física. Com relação de lojas desatualizada em seu site e sem canais de comunicação oficial, a companhia parece experimentar ainda um abandono. A família fundadora do negócio, os Kauffman, donos também da rede de joalherias Vivara, não teria mais interesse no negócio, de acordo com relatos do mercado. E a nova geração, diante do avanço da concorrência digital, bem que gostaria de vender o ativo. Mas os compradores óbvios não se interessaram.

Entre eles, a concorrente Tok&Stok, que ensaiou oferta inicial de ações recentemente. A desistência de ida à bolsa teria empacado uma tentativa de aproximação. Mas o Broadcast apurou que sobretudo o modelo de grandes lojas não chamou a atenção dos investidores da almejada compradora. A Tok&Stok está, ao contrário, apostando em lojas compactas e vendas online.

Apenas cinco pontos de venda

Em uma das áreas do site da Etna, aparece uma lista de nove lojas, dentre elas estão endereços de estabelecimentos já fechados, como o de Fortaleza (CE) e o da Marginal Tietê, onde hoje funciona um atacarejo. Desde 2021, quatro lojas foram fechadas e, hoje, a rede conta com cinco pontos de venda. São três no Estado de São Paulo, um na capital, outro em Campinas – no Shopping Parque D. Pedro – e o terceiro no município de Sorocaba. Os outros dois endereços estão no Rio de Janeiro e Brasília.

Para se ter uma ideia do tamanho do encolhimento da empresa, em 2015, falava-se em 18 pontos espalhados pelo Brasil. Em 2021, já com a metade desse parque, a empresa fechou as portas no Nordeste. Desde o fim do ano passado, porém, nas lojas da capital paulista e de Campinas, há relatos de fim de festa, com prateleiras esvaziadas e falta de produtos. Um mau presságio, aliás, excluiu nesta semana quatro lojas do localizador do site da companhia. Quando se buscava os pontos por localização, aparecia apenas o da Berrini.

Em negócios de varejo, fechar estabelecimentos é sempre a última opção, já que os custos de demissão, quebra de contratos de aluguel, bem como as perdas de estoque, acabam levando os gestores a amargar longos prejuízos antes de abaixar de vez as portas. Na ausência de interesse da nova geração dos Kauffman, bem mais envolvidos com a Vivara – que experimenta um momento infinitamente melhor – a decisão mais viável seria buscar vender ao menos os pontos, como foi feito com o Extra Hiper.

Procurada, a Etna confirmou que a rede hoje se resume a cinco lojas, mas não quis comentar a situação.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 10/03/22, às 17h32.

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