Sem IPO, Madero tenta novo alongamento da dívida e busca captar até R$ 600 mi

Sem IPO, Madero tenta novo alongamento da dívida e busca captar até R$ 600 mi

Altamiro Silva Junior

08 de fevereiro de 2022 | 05h10

Em 2021, a receita da rede somou R$ 1,1 bilhão, com alta de 44%   Foto: Werther Santana/Estadão

Sem conseguir abrir o capital na B3, a rede de restaurantes Madero está fazendo nova rodada de negociação com os bancos para aumentar o prazo de suas dívidas para 5 anos. Elas fecharam 2021 em R$ 1,022 bilhão, dos quais 70% vencem em 12 meses. Dentro dessa estratégia, a empresa de Curitiba, que teve prejuízo de R$ 121,4 milhões no ano passado, também fará no próximo dia 24 a venda de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), em operação que pode render até R$ 600 milhões, com prazo de 5 e 6 anos.

O Madero afirma em seu balanço do quarto trimestre, divulgado ontem, que vai voltar com a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) assim que o mercado estiver melhor. Em janeiro, desistiu de fazer a operação, com o os investidores não dando mostras de apetite por papéis de novas empresas na B3. “O Grupo Madero em seu plano estratégico possui a meta de realizar um IPO assim que o mercado de capitais apresentar condições para a realização de uma operação nos parâmetros que a companhia entender adequados”, afirma o balanço.

Com o crescimento de 45% da dívida bruta em 2021, entre outros fatores, por causa da expansão da rede de restaurantes, o IPO vai ter impacto “substancial na redução da alavancagem financeira da empresa”, segundo o balanço. O plano inicial era usar metade dos recursos captados para pagar dívidas.

Enquanto não consegue chegar à B3, o Madero diz que a parceria que tem com os bancos – principalmente BTG Pactual, Bradesco, Banco do Brasil e Itaú – tem permitido à empresa “gerenciar de forma efetiva o seu endividamento, capturando oportunidades ímpares de expansão”. Na emissão de CRA, a operação terá debêntures do grupo como lastro e garantia firme de colocação de R$ 500 milhões dos bancos, os mesmo que são os credores. Dependendo da demanda, pode ter um lote adicional de R$ 100 milhões.

“Anos desafiadores”

Com o aporte recebido do fundo americano Carlyle em novembro passado, de R$ 300 milhões, o Madero conseguiu reduzir a dívida líquida, que fechou dezembro em R$ 764,3 milhões. Quando comparado ao final do terceiro trimestre, essa dívida caiu R$ 216,8 milhões.

Mas a comparação em 12 meses da dívida líquida mostra aumento importante, o que, segundo o Madero, veio da necessidade de suportar as operações dos restaurantes durante a segunda onda da pandemia, e da abertura de unidades do grupo, com 35 novos restaurantes no ano passado. No período, o Madero investiu R$ 332,6 milhões nessa estratégia. Com isso, o grupo chegou a 258 restaurantes no Brasil – 165 da marca Madero e o restante da marca Jeronimo.

A estratégia de abrir mais unidades já se reflete no crescimento da receita líquida da empresa, que foi a maior da história do grupo no quarto trimestre. No período, somou R$ 367,2 milhões, expansão de 36,5% na comparação com o mesmo período de 2020. Em 2021, a receita somou R$ 1,1 bilhão, expansão de 44% e nível também recorde.

A rede está conseguindo melhorar o resultado, mas ainda sem gerar lucro. No quarto trimestre, o prejuízo líquido foi de R$ 6,2 milhões, queda de 76% em 12 meses. No ano, foi de R$ 121 milhões, recuo de 51%. “Os últimos 2 anos foram certamente dos mais desafiadores para a história do Grupo Madero”, afirma o diretor presidente, Luiz Renato Durski Junior, no balanço.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 07/02/22, às 13h28.

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