Sem IPOs, receita de bancos de investimento chega a cair mais de 50% no 4ºtri

Sem IPOs, receita de bancos de investimento chega a cair mais de 50% no 4ºtri

Altamiro Silva Junior e Matheus Piovesana

13 de fevereiro de 2022 | 05h15

Desde agosto, não ocorrem novas aberturas de capital na B3   Foto: Fernanda Guimarães/Estadão

Em uma ressaca do mercado de capitais do Brasil após um forte primeiro semestre, especialmente nas aberturas de capital, que estão paradas desde agosto, os bancos de investimento tiveram queda forte nas receitas no quarto trimestre do ano passado. No Bradesco, a linha de assessoria financeira caiu 48% em relação ao terceiro trimestre, que já foi mais fraco. No Santander, o mergulho foi de 52%, enquanto o Itaú, líder do segmento, perdeu 25%. Essa ressaca pode se estender em 2022. Até agora, 15 ofertas iniciais de ações foram canceladas neste ano, sem perspectiva, por ora, de volta ao mercado. Outras que estavam em preparação entraram em banho-maria.

Nos três bancos, a visão é que grandes empresas vão precisar de menos dinheiro este ano para bancar projetos de investimento por um motivo simples: o apetite será menor. O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, acredita que essas corporações vão se concentrar em linhas de curto prazo, diante dos juros altos e do cenário eleitoral, que tende a ser bem volátil e incerto, o que dificulta tirar projetos de investimento da gaveta.

Com juros superando 12%, fica inviável, construir nova fábrica, ou novo pátio, ou nova usina. Lazari relatou, ao discutir os resultados do banco, que em conversas com empresas, ficou claro que o apetite para investir em produção neste ano é baixo: dificilmente algum negócio terá retorno maior que a Selic.

Retomada

Há, no entanto, algum otimismo no setor. O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, acredita em alguma retomada do mercado de capitais, após a “desaceleração do pipeline (as operações que estão sendo preparadas)” no quarto trimestre – no ano completo de 2021, o Itaú BBA bateu recordes, disse ele. O executivo afirmou que a depender desse apetite, o Itaú colocará em carteira um montante maior ou menor dos títulos emitidos pelas empresas.

O ex-presidente do Santander e agora presidente do conselho do banco, Sergio Rial, manifestou visão parecida. Para ele, haverá janela para boas histórias e bons modelos de negócio ainda neste primeiro semestre do ano. O Santander, assim como Bradesco e Itaú, já tem uma história para contar: a da oferta da BRF, que ajudaram a coordenar, movimentou R$ 5,4 bilhões e é, até aqui, a maior do ano, embora não sem percalços – a empresa não conseguiu vender o lote extra e a ação saiu com desconto acima de 7%.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 11/02/22, às 16h47.

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