Sem ofertas em Bolsa, receitas de bancos de investimento mínguam

Sem ofertas em Bolsa, receitas de bancos de investimento mínguam

Altamiro Silva Junior, Cynthia Decloedt e Matheus Piovesana

17 de maio de 2022 | 05h15

Banco do Brasil, que opera no segmento em parceria com o UBS, foi exceção  Foto: Paulo Vitor/AE

Sem novas listagens em Bolsa, os bancos de investimento viram de maneira geral a receita encolher no primeiro trimestre. Com os IPOs (ofertas iniciais de ações, da sigla em inglês) parados desde agosto, o desempenho só não foi mais comprometido em função da onda de ofertas de títulos de dívida, como debêntures e outros papéis, que bateram recorde no período. As fusões e aquisições também seguiram aquecidas, com alguns grandes negócios sendo anunciados, como a união da Rede d’Or com a SulAmérica.

No Itaú BBA, a receita recuou 2,4%, no Bradesco BBI encolheu 7,5% enquanto no BTG Pactual caiu 27% nessa linha de negócio, todos na comparação anual. O Banco do Brasil, que opera em parceria com o UBS, foi exceção e viu sua receita saltar 36% no primeiro trimestre, com a coordenação de 38 transações, das quais 32 de renda fixa local.

O BTG ilustra bem o que aconteceu no período. O banco, que havia participado de 19 ofertas de ações nos primeiros três meses de 2021, participou de apenas nove agora. Registrou queda também nas operações de renda fixa. Nos três primeiros meses de 2021, haviam sido 25 e agora, somaram 15. Já nas fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês), o BTG teve o mandato de 17 negócios, enquanto no mesmo período do ano passado foram 13.

O Bradesco BBI esteve presente em operações de renda fixa que levantaram R$ 9 bilhões no primeiro trimestre. Com o número menor de novas ofertas iniciais na bolsa, o banco buscou gerar receita em outras frentes, segundo o diretor de relações com investidores do Bradesco, Leandro Miranda. A assessoria de fusões e aquisições do BBI cresceu 59% em relação ao quarto trimestre. Mesmo assim, a receita total do banco de investimento, com coordenação de negócios e emissões caiu 7,5% na comparação anual para R$ 236 milhões.

Emissões no mercado de capitais foram recorde no trimestre

As emissões no mercado de capitais brasileiro somaram R$ 105 bilhões no primeiro trimestre, novo recorde. Desse total, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), 85% foram em renda fixa, com destaque para as captações de debêntures, que somaram R$ 56 bilhões, quase o dobro quando comparado ao começo de 2021. Localiza, Claro, Equatorial Energia e CCR fizeram ofertas bilionárias, que chegaram a R$ 4,3 bilhões, no caso da operadora de telefonia móvel.

Após o boom de renda fixa nos três primeiros meses, o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, vê desaceleração nesse ritmo, sobretudo no quarto trimestre, por causa das eleições em outubro. Em teleconferência de resultados, semana passada, ele disse que haverá janelas menos favoráveis, sobretudo em renda variável. O Itaú BBA participou de 32 operações de renda fixa entre janeiro e março.

Já o presidente do BTG Pactual, Roberto Sallouti, afirma que o primeiro trimestre pode ter sido o piso para a receita do segmento de banco de investimento, mesmo com as eleições pela frente.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 16/05/22, às 10h33

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