Similar a um “lego gigante”, Gerdau avança em construção modular

Fernanda Guimarães

16 de maio de 2020 | 10h14

Ao longo dos últimos meses, um dos desafios mais relevantes em todo o mundo foi o aumentar rapidamente a capacidade de leitos hospitalares, dada a necessidade urgente que emergiu com o surto de covid-19. No Brasil não foi diferente, com Estados e municípios colocando a população em casa na tentativa de achatar a curva da disseminação do vírus, ao mesmo tempo em que o aumento da infraestrutura para atender doentes foi acelerada. Além da compra de respiradores, isso incluiu a abertura de novos hospitais.

Na China, o primeiro epicentro do covid-19, hospitais de campanha foram levantados em poucos dias, chamando a atenção de todo o mundo pela velocidade das construções. No Brasil, um novo Centro de Tratamento construído na Zona Sul da capital paulista ficou pronto em 33 dias. Detalhe: não se trata de um hospital de campanha, já que passada a pandemia ele será incorporado à rede de saúde. Nele, foi empregada uma solução chamada de “construção modular metálica”, método no qual 90% da construção é feita dentro da fábrica. Com peças de aço mais leves, cada módulo é feito para ser encaixado e, assim, poder levantar todo o empreendimento.


Foto: Divulgação

A construção modular metálica vem sendo desenvolvida no Brasil pela Gerdau, que colocou em sua estratégia o desenvolvimento de novos negócios. Uma das frentes é eliminar a perda da produtividade da construção civil. “Mesmo antes da pandemia da covid-19, o setor da construção já começava a articular-se na busca por novos sistemas construtivos, melhores e mais produtivos. A pressão pela redução dos ciclos dos empreendimentos, assertividade no cronograma e redução dos custos das obras tem se intensificado na construção civil”, diz o diretor de inovação, planejamento estratégico e logística da Gerdau, Elder Rapachi, ao Broadcast.

A construção modular lembra a montagem com peças de Lego. Na verdade, gigantes peças de Lego. Dentre os benefícios, está o menor desperdício, com impacto direto nos custos e atrasos. O conceito construtivo modular permite dividir a obra em diversos painéis dentro da fábrica. Posteriormente, eles são montados em uma estrutura de aço e, juntos, formam os módulos transportados prontos para o local. Em seguida, é realizada a montagem final do empreendimento.

As construções modulares fazem parte da estratégia de tornar os novos negócios responsáveis por 20% da receita da Gerdau, em dez anos. Neste contexto, a produtora de aço espera ajudar, por meio da adoção de novos métodos e tecnologias, o ganho de eficiência do setor da construção. Para isso, a Gerdau tem trabalhado com parcerias e incubado startups do ecossistema da construção civil.

Foi daí que nasceu o Gerdau Builders e a siderúrgica passou a ser a mentora da construtech Brasil ao Cubo, que aplica técnicas de produção em série para potencializar a produtividade dos canteiros de obras por meio da construção modular.

“Atualmente, 15% das vendas do segmento da construção metálica da Gerdau são direcionadas à construção industrializada. O segmento da construção industrializada assumirá um papel mais importante nas vendas da empresa”, afirma Rapachi.

No mundo, a construção modular tem ganhado espaço na última década. Dentre alguns exemplos, está o ‘Mini Sky City’ na China, um arranha-céu de 57 andares construído em apenas 19 dias. Outro é o ‘Clement Canopy’, em Cingapura, composto de 1,8 mil módulos habitacionais e contém 505 apartamentos residenciais de luxo. No Japão, a construção modular residencial já representa mais de 30% do mercado imobiliário, com casas sendo montadas em até 24 horas. Mas a maior construção do mundo ainda vai sair do papel e será em Nova York. A maior rede de hotelaria do planeta, a Marriott International, vai construir o hotel mais alto do mundo. Os quartos serão montados em uma fábrica na Polônia e transportados para Nova York.

Em um dos hospitais construídos com essa tecnologia, feito em parceria com a Ambev, prefeitura de São Paulo e o Hospital Israelita Albert Einstein, que trouxe 100 novos leitos no Hospital M’Boi Mirim, zona sul de São Paulo, a construção modular metálica permitiu a execução em um prazo quatro vezes menor que uma obra convencional, segundo a Gerdau. Foi entregue em 33 dias.

O mesmo método será aplicado na construção de um centro de tratamento de combate à covid-19 em Porto Alegre, em parceria com o Hospital Moinhos de Vento, a rede de combustíveis Ipiranga, da Ultrapar, o Grupo Zaffari e a Prefeitura de Porto Alegre. Com 60 leitos, a unidade será construída em área do Hospital Independência – administrado pela Associação Hospitalar Divina Providência – e deve ser entregue dentro de 30 dias, no fim de maio.

Contato: fernanda.guimaraes@estadao.com

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.