Sócia do Porto Itapoá pede que CVM cancele oferta do fundo BRZ Infra Portos

Sócia do Porto Itapoá pede que CVM cancele oferta do fundo BRZ Infra Portos

Mariana Durão

30 de janeiro de 2020 | 05h00

Porto de Itapoá, em Santa Catarina FOTO Thiago Barcelos/Porto de Itapoá

Acionista majoritária da Portinvest, controladora do Porto Itapoá (SC), a PortoSul foi à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedindo a suspensão ou cancelamento definitivo da oferta pública do fundo BRZ Infra Portos FIP-IE. Em análise pela CVM, a operação pretende captar R$ 700 milhões para a aquisição de 22,9% do porto catarinense. A PortoSul alega que o prospecto é impreciso e que a BRZ atua em interesse próprio, para se perpetuar como gestora desse novo fundo. Em meio à oferta pública, a BRZ não comenta o imbróglio.

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Conflito de interesses. Holding do grupo Battistella, a PortoSul tem 51% da Portinvest em sociedade com a LOG-Z – Logística Brasil. Por sua vez, a LOG-Z é formada por três fundos geridos pela BRZ Investimentos: Fundo Logística (66,82%), Fundo Portos (20,17%) e Fundo Empreendedor (13,01%). A oferta do BRZ Infra Portos se baseia na aquisição da fatia do Logística – que tem entre os cotistas Petros, Previ, Funcef e BNDESPar – em Itapoá. Como gestora do novo fundo, a BRZ receberia taxa de administração de 2%, o dobro do que recebia como gestora do Fundo Logística, diz a PortoSul à CVM. Também alega conflito de interesse pelo fato de a BRZ ser gestora do FIP-IE e do Logística, vendedor do ativo. O próprio prospecto da oferta, porém, alerta para esse ponto.

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Bastidores. Os três fundos que compõem a LOG-Z queriam vender Itapoá. A oferta pública do BRZ Infra Portos pegou de surpresa a PortoSul, que tinha interesse em comprar a parte dos fundos no porto. Uma oferta inicial da Portinvest chegou a ser cogitada para dar liquidez ao ativo. A PortoSul acusa a BRZ de não ter informado seu interesse aos cotistas dos fundos para não perder o contrato. Fontes de mercado veem a reclamação à CVM como “recalque” pelo Fundo Logística e a BRZ terem optado por estruturar uma oferta pública via fundo de infraestrutura, veículo em alta no mercado, de olho no potencial de valorização de Itapoá.

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Desdobramentos. A reclamação chegou à CVM no dia 14. Sete dias depois, a BRZ divulgou comunicado ao mercado com modificações no prospecto. Entre outros pontos, esclareceu que a venda da participação em Itapoá detida pelo Fundo Empreendedor e pelo Fundo Portos não foi aprovada pelos cotistas. Ou seja: uma futura aquisição da fatia desses fundos no porto pelo BRZ Infra Portos dependerá de nova deliberação. Foi incluído um novo fator de risco: uma dívida do Porto Itapoá garantida por alienação fiduciária de 100% de suas ações. Pelo cronograma, o registro da oferta pela CVM sai em 4 de fevereiro.

Notícia publicada no Broadcast no dia 29/01/2020, às 11:05:05

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