Sodexo entra na disputa por delivery de comida no Brasil

Sodexo entra na disputa por delivery de comida no Brasil

Aline Bronzati

02 de junho de 2020 | 05h20

Restaurante Sodexo / Foto: Gustavo Rampini/Divulgação

O grupo francês Sodexo passou a disputar um novo nicho de atuação no Brasil: delivery de refeições para o consumidor final. Na mira, está um dos poucos mercados incentivado com a pandemia do novo coronavírus. Somente neste ano, o movimento esperado nessa área é de R$ 19,5 bilhões, segundo projeção recém-revisada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Nas três primeiras semanas de testes da nova estratégia, a Sodexo entregou mais de mil refeições nos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. O projeto marca a ampliação do sistema no Brasil, do mundo corporativo para o consumidor final, e conta com parcerias com aplicativos de entrega. Já foi fechada com o Rappi e há conversas com mais plataformas de entrega.

Sistema é baseado no modelo de ‘cozinha invisível’

Baseado no modelo ‘cloud kitchen‘, a chamada cozinha invisível que segue a lógica do coworking, com o compartilhamento de espaços de produção, o sistema é voltado exclusivamente ao atendimento de pedidos online. A operação começa com quatro unidades para atender o consumidor final, sendo duas na cidade de São Paulo, uma em Barueri (SP) e outra em Porto Alegre (RS).

Na prática, a Sodexo está aproveitando estruturas existentes e antes voltadas exclusivamente ao mercado corporativo para, agora, atender também ao consumidor final. A meta é ampliar a nova estratégia para entre 15 a 30 unidades ainda neste ano. Em contrapartida, a expectativa do grupo é que a rede de ‘restaurantes fantasmas’  amplie em 50% a produção já existente nessas cozinhas.

De acordo com o diretor de digital e inovação da Sodexo On-site Brasil, Rubenson Chaves, em 2021, serão 100 unidades atendendo no novo modelo, de um universo potencial de 2 mil unidades espalhadas pelo Brasil. “Uma grande rede de alimentação tem hoje ao redor de 300 cozinhas. Nosso universo permite ter uma estrutura seis vezes maior. Queremos ser gigantes neste mercado”, diz Chaves, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, sem revelear o investimento.

Estratégia de ‘cozinhas fantasma’ começou antes da pandemia

A estratégia da Sodexo estava sendo traçada antes mesmo da pandemia. O Brasil foi escolhido ao lado da França, país sede da companhia, para capitanear o novo nicho de atuação. O mercado brasileiro é considerado pioneiro no grupo. Isso porque na França foi adotado um formato combinado entre corporativo (B2B, na sigla em inglês) e consumidor final (B2C, na sigla em inglês).

“O Brasil rapidamente testa modelos. Pesquisas mostram que esse perfil se acentuou na pandemia, com as pessoas ainda mais abertas a comparar e testar mais”, diz ele. A companhia presta serviço a mais de 100 milhões de consumidores em todo mundo diariamente, sendo 1,5 milhão só no Brasil.

Em breve, serviço deverá acontecer também no jantar

Além disso, a pandemia do novo coronavírus também ajudou a turbinar o mercado de entrega em domicílio de refeições no Brasil. Com as medidas de isolamento, os pedidos aumentaram e fizeram o setor revisar sua estimativa. Antes de R$ 18 bilhões, a nova projeção do setor, representado pela Abrasel, é de um faturamento de R$ 19,5 bilhões, considerando os serviços de delivery e take away, aquele em que o consumidor pede e retira no local.

“Tivemos uma aceleração do aumento de esforços e pedidos por delivery. O setor que antes crescia 20% ao ano, vai se expandir em 30% em 2020. Serão R$ 4,5 bilhões a mais de um ano para o outro”, diz o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci.

Diante do crescimento de opções de delivery, a aposta da Sodexo para o cliente é a bagagem global que carrega no segmento de alimentações corporativas. O menu está disponível na Deli Express by Sodexo (com refeições a R$ 36) e Receitas de Casa by Sodexo (em média, R$ 19). “Nossos padrões são os mesmos de São Paulo à Finlândia. Temos de garantir que o prato pronto, que saiu da nossa cozinha com  determinada temperatura, chegue até o consumidor final quentinho”, diz Charles, da Sodexo.

O apetite do grupo francês vai além do almoço. O serviço, que começou operando entre 11 e 15 horas, em breve deve ser disponibilizado durante o jantar. “Queremos incrementar o modelo de negócio. Outras novidades virão”, afirma.

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