Stone e Safra se enfrentam na Justiça por disputa no mercado de maquininhas

Stone e Safra se enfrentam na Justiça por disputa no mercado de maquininhas

André Vieira

16 de fevereiro de 2020 | 05h11

Foto: Gabriela Biló/Estadão

A guerra das maquininhas chegou à Justiça. Em ação protocolada na 2ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem de São Paulo, a fintech Stone acusa o Banco Safra de concorrência desleal na estratégia de conquistar mais espaço para o SafraPay, seu sistema de meio de pagamentos eletrônicos.

Leia também: Stone notifica Captalys para impedir acesso a usuários das maquininhas

No processo, ao qual o Estadão/Broadcast teve acesso, a Stone diz que o rival teria aliciado 61 vendedores em um espaço de seis meses, oferecendo um pacote generoso de remuneração para que eles violassem informações contratuais confidenciais e sigilosas de seus clientes, estratégias, preços e operações. Quarta maior empresa do setor e listada na Nasdaq desde outubro de 2018, a Stone também diz que o Safra estaria estimulando boatos sobre sua imagem e solidez financeira.

Na Justiça, a Stone pediu a proibição de abordagem de seus funcionários pelo Safra, do uso de informações sensíveis, o fim do uso de links patrocinados que associavam sua marca à do Safra e segredo de Justiça da ação.

Saiba mais: Alberto Safra deixa o banco da família

No primeiro round da disputa, o juiz Luís Felipe Bedendi não acolheu integralmente o pedido de liminar solicitada pela Stone. Ele não concedeu segredo de Justiça e entendeu que o argumento de que o Safra estaria utilizando links patrocinados na internet associando à marca Stone não era válido. “Isso porque a utilização da marca por concorrentes não é necessariamente ilegal”, disse o juiz, em seu despacho sobre o pedido de liminar.

Mas, com base em uma lista apresentada pela Stone dos consultores que pediram demissão e migraram para o concorrente e relatos de declarações de consultores abordados, o juiz determinou que o Banco Safra pare de abordar os empregados da Stone. Também proibiu o uso de informações sensíveis da concorrência. O mérito da ação ainda será julgado, sem prazo previsto.

Acompanhe: CPI pede indiciamento de diretores do Itaú e do Safra

O mercado de captura de transações é estimado em R$ 1,3 trilhão, segundo dados compilados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). As fintechs, como Stone, PagSeguros e MercadoPago, têm ameaçado o terreno ocupado por grupos ligados aos grandes bancos como Cielo (Bradesco e Banco do Brasil), Rede (Itaú Unibanco) e Getnet (Santander), que vem perdendo participação de mercado.

O Safra foi um dos últimos entrantes neste mercado. Criado em 2017, o SafraPay teve uma postura mais agressiva ao oferecer taxa zero nas vendas à vista. A operação era tocada por Alberto Safra, um dos filhos de Joseph Safra, que por desentendimento internos com o irmão Davi deixou o banco no fim do ano passado para abrir sua instituição, o Asa Bank.

Procurado, a Stone afirmou não comentar processos em andamento. O Banco Safra limitou-se a dizer que fez a contestação do caso que está sub judice.

Notícia publicada no Broadcast no dia 14/02/2020, às 15:22:12

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Siga a @colunadobroadcast no Twitter

Quer saber mais sobre o Broadcast? Fale conosco

Tudo o que sabemos sobre:

Stonebanco safraJustiça