Streamshop cria shopping das lives para atrair público ao comércio digital ao vivo

Streamshop cria shopping das lives para atrair público ao comércio digital ao vivo

Talita Nascimento

04 de outubro de 2021 | 16h10

Crédito da foto: Nilton Fukuda/Estadão

Ideia é que cliente passeie virtualmente por cardápio de lives  Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Tendência chinesa, o comércio digital ao vivo começa a testar as águas brasileiras. Há quem faça as famosas lives de forma caseira, via redes sociais, e exponha ali os produtos, compartilhando links de ofertas nos comentários. O problema desse modelo é que o cliente tem de mudar de ambiente para finalizar a compra, o que pode desestimular o consumo por impulso, que é o grande objetivo desse tipo de iniciativa desde quando o agora chamado “live commerce” acontecia apenas em canais de televisão voltados a propaganda e “ofertas imperdíveis”. As novidades nesse segmento agora envolvem até mesmo um shopping virtual ao vivo.

A StreamShop criou uma solução em que os produtos apresentados nas transmissões ao vivo ficam disponíveis na mesma página do vídeo e, assim, é possível comprar sem ter de acessar outro link, bem como, em alguns casos, negociar descontos com o vendedor. A empresa chegou a 500 mil usuários únicos em sua plataforma e mais de R$ 50 milhões de transações em vendas (GMV) de abril a setembro deste ano. Dentre os clientes estão grandes empresas como Natura, L’oréal, Vivo, Buscapé, Banco Inter, Riachuelo, ZeeDog, Reserva, Madesa e BASF.

Até então, a empresa oferecia essa solução para os clientes por meio de um link que era customizado para a marca. Agora, a StreamShop quer juntar todos esses links em uma nova plataforma, para que o cliente passeie virtualmente pelo cardápio de lives e escolha em qual loja quer entrar: uma experiência inspirada em um shopping físico.

Para Gustavo Chapchap, líder do Comitê de E-Commerce da Associação Brasileira de Agentes Digitais e diretor da Jet/ZapCommerce, usar uma plataforma de uma empresa terceira para realizar transmissões pontuais pode ser uma solução mais adequada do que tentar oferecer esse serviço adquirindo uma tecnologia própria, especialmente para quem não tem alto tráfego em seus ambientes digitais. Mas ele reforça que fazer lives não garante conversão de vendas.

“Se a loja já tem um bom tráfego digital e consegue fazer isso na sua própria plataforma, pode valer a pena ter algo próprio. Mas para quem não tem esse número de usuários, há o desafio de, primeiro, atrair público para as lives. Depois, não é garantido que haverá conversão de vendas de quem estiver assistindo àquilo”, afirma. Ele acredita que esse tipo de comércio faz mais sentido na China, por exemplo, porque a sociedade ali é mais desenvolvida digitalmente.

“Eles estão em outro patamar de digitalização, têm meios de pagamento e sistema bancário muito diferente daqui”, pontua. Assim, Chapchap acredita que as investidas para desenvolver o live commerce no Brasil são válidas e podem, sim, ser uma solução interessante, mas não podem ser vistas como uma palavra mágica para vender pela internet, justamente porque antes de vender em uma live é preciso garantir a relevância do assunto para que as pessoas parem para assistir.

A ideia do novo shopping virtual é justamente garantir que haja consumidores passando pelo ambiente digital onde as transmissões das lojas acontecem. Para Marcio Machado, CEO e fundador da StreamShop, mesmo que as lives não levem o cliente, necessariamente, a baixar o app de cada varejista, a vantagem para esses lojistas é que, ao acessar o link da loja ao vivo, o consumidor é direcionado a um ambiente daquela marca, sem que a varejista tenha de investir em uma tecnologia própria para aquilo.

Americanas

Há, porém, quem busque o caminho menos óbvio. A Americanas fechou uma parceria neste ano com a plataforma “OOOOO” para realizar suas lives e permitir as compras no mesmo ambiente. A solução é parecida com a que a StreamShop oferece. Para ChapChap, essa ideia pode fazer sentido para as empresas que, tradicionalmente, têm muitos usuários passeando pelo seu aplicativo, como a Americanas, mas para dar certo é preciso que a plataforma seja integrada ao aplicativo de compras da empresa, o que a companhia ainda não fez.

Segundo informações da Americanas enviadas ao Broadcast, a plataforma de live commerce da companhia já realizou mais de 170 lives. “Com a operação de live commerce da Americanas ao Vivo, foi registrado um crescimento de mais de 10 vezes na busca dos produtos divulgados durante as lives e uma conversão de vendas sete vezes maior”, diz a empresa. A companhia afirma que, em vista dos números caseiros positivos, decidiu firmar a parceria comercial com a OOOOO, plataforma britânica de social commerce, para expandir o alcance do negócio. A OOOOO já exibiu mais de 80 lives no app e fez lives em parcerias com grandes marcas, como a L’óreal Vulcabrás, Beleza na Web e outras.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 01/10/2021 às 14h46.

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