Techs brasileiras em NY perdem US$ 20 bi – ou um BB – em valor de mercado

Techs brasileiras em NY perdem US$ 20 bi – ou um BB – em valor de mercado

Altamiro Silva Junior

04 de fevereiro de 2022 | 05h20

O Nubank  acumula baixa de 25% desde que estreou na Nyse em dezembro   Foto: JF Diorio/Estadão

As empresas de tecnologia do Brasil que resolveram lançar ações nos Estados Unidos estão amargando perdas bilionárias. Nada menos que US$ 20 bilhões em valor de mercado dessas companhias, como Nubank, Stone, PagSeguro, CI&T, Zenvia e Vtex, sumiram desde a abertura de capital em Nova York. O valor é equivalente ao do Banco do Brasil, uma das maiores instituições financeiras da América Latina.

Só neste começo de 2022, quando o apetite dos investidores pelos papéis das ‘techs’ azedou de vez, as empresas brasileiras encolheram US$ 15 bilhões. Os analistas não veem trégua para o setor no curto prazo.

A espiral de queda das techs começou a ganhar força quando o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) passou a sinalizar juros bem mais altos na maior economia do mundo. Na prática, isso significa dinheiro mais caro para quem precisa tomar crédito, como é o caso do setor de tecnologia.

Para piorar, dois casos específicos nesta semana ajudaram a azedar ainda mais o apetite dos investidores e aumentar a desconfiança com o setor. A Paypal e o Facebook soltaram balanços piores que o esperado, caíram mais de 20% e arrastaram o segmento quase que inteiro para o buraco.

Das empresas brasileiras que foram para Nova York recentemente, todas amargam quedas pesadas. Os preços das ações hoje estão abaixo do que quando fizeram o IPO. A Vtex, por exemplo, lançou ações a US$ 19 e na tarde de ontem tinha papéis negociados na casa dos US$ 6,50. O Nubank já acumula baixa de 25% desde que estreou na Bolsa em dezembro, perdendo US$ 10 bilhões em valor de mercado.

Para Charles Henry Monchau, diretor financeiro do suíço Bank Syz, a piora das condições de liquidez no mercado, com o Fed retirando estímulos monetários, deve se traduzir em solavancos pela frente as Bolsas, com mais volatilidade.

Além de elevar os juros, que encarece o crédito, o Fed vai parar as compras mensais de ativos no mercado e ainda reduzir seu balanço. Ou seja, vai precisar vender papéis para os investidores, o que vai tirar dinheiro do sistema. O reflexo desse ambiente é que o Nasdaq cai 11% neste ano.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 03/02/22, às 17h26.

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