Tecnologia e e-commerce devem prevalecer entre IPOs nos próximos meses

Tecnologia e e-commerce devem prevalecer entre IPOs nos próximos meses

Fabiana Holtz

08 de dezembro de 2020 | 05h00

Petz é uma das empresas com ações em alta em 2020. Foto: Werther Santana/Estadão

Embora as ações da maior parte das empresas que estrearam na B3 neste ano não apresentem um resultado positivo até aqui, alguns setores se destacam, principalmente considerando o forte fluxo estrangeiro registrado no mês de novembro. Entre os nomes de estreia mais recente, sobressaem a Sequoia Logística, que acumula alta de 55% desde sua estreia em outubro, a rede de varejo Petz, com alta de 25,7%, a varejista de materiais de construção Lojas Quero Quero, com alta de 23,8%, e a Track & Field, com ganho de 22%.

Existem dois pontos em comum nessa lista de sucesso, avalia Guto Leite, gestor de renda variável da Western Asset. Segundo ele, de forma geral a maior parte está ligada a tecnologia ou ao e-commerce, como é o caso da Sequoia, transportadora que presta serviços para o varejo online, seu principal cliente.

Mas é o caso em especial da Locaweb, pioneira no serviço de hospedagem de websites que hoje oferece plataformas completas de e-commerce, e que registra um salto de 218,9% desde fevereiro, quando estreou. Esta, na visão de Rodrigo Wainberg, analista de investimentos da Suno, é uma tese que envolve um pouco de sorte, porque o IPO aconteceu semanas antes da pandemia. “A empresa foi beneficiada pela necessidade de rápida digitalização desde março.”

Entre as 25 empresas que ingressaram na bolsa neste ano, apenas 11 apresentam desempenho positivo até o momento. Diante do excesso de ofertas do segmento, as construtoras se destacam entre as principais perdas: Moura Dubeux (queda de 41,4%), Mitre Realty (baixa de 23,9%) e Lavvi (retração de 10%) são os principais exemplos. A exceção fica por conta da Cury, que acumula alta de 15% desde a estreia, em setembro.

Para os próximos meses, os gestores de fundos e analistas consultados pelo Broadcast consideram que ainda há espaço para novos entrantes, mas apenas empresas mais sólidas. Com relação a setores específicos, a leitura dos especialistas é de que o cenário está bastante pulverizado, mas que ainda haverá destaque para nomes ligados ao e-commerce, tecnologia e infraestrutura.

Ambiente favorável. De acordo com Wainberg, da Suno, a pandemia está ficando para trás, com a expectativa de que parte da população esteja vacinada nos próximos meses, o que mantém o ambiente favorável para novos IPOs. “No Brasil, as reformas estão caminhando, apesar de todo o ruído. A relação PIB/dívida pública deve continuar subindo, mas o País vai quebrar por conta disso. Para o investidor o importante é ter um mercado com regras claras e um marco jurídico estável”, afirma.

Leite, da Western Asset, destaca que houve uma certa concentração setorial nas ofertas deste ano – principalmente no caso da construção civil -, o que acabou prejudicando grupos em particular. “Em geral, os papéis mais líquidos é que estão andando, ou seja, isso acaba atrapalhando os menos líquidos.”

Wainberg recorda que várias construtoras venderam suas ações abaixo do preço mínimo, e que algumas desistiram das ofertas. “Já no caso da Lojas Quero Quero, a empresa foi extremamente beneficiada pelo forte aumento da demanda por materiais de construção no período”, aponta.

Para o analista da Suno, o ambiente está ficando mais propício para o retorno de investidores. “Além das discussões das reformas, que precisam andar, vejo uma pressão para aprovação do marco regulatório do gás, a implementação do 5G, o marco legal das startups, a recuperação do setor de construção civil. Tem muita coisa acontecendo”, observa. Ele lembra que as primeiras concessões de saneamento, setor que teve marco legal aprovado, já foram feitas.

Para Leite, da Western, há uma grande expectativa sobre IPOs neste setor, mas não no curto prazo. Outro destaque deve ser o setor de saúde, acrescenta. “Ainda acho que para o estrangeiro a liquidez é mais uma restrição do que para o investidor doméstico”, afirma.

“Temos em nosso portfólio espaço, mas estamos bem seletivos para entrar em IPOs de nomes com baixa liquidez. Esse é apenas mais um risco, que no caso da Rede D’Or (cuja precificação acontece na próxima semana), por exemplo, não está presente. Lá eu consigo focar mais no negócio”, pondera Leite.

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