Telefônica fecha parceria com fundo canadense para construir rede de fibra ótica

Circe Bonatelli

03 de março de 2021 | 05h00

FOTO PAULO LIEBERT/AE

A Telefônica (dona da Vivo) está dando largada à era das empresas construtoras de redes neutras de fibra ótica, segmento que vai crescer a passos largos nos próximos anos e que também contará com a entrada de subsidiárias de Oi e TIM em breve. O grupo espanhol fechou parceria com o fundo de pensão canadense CPDQ para lançar a Fibrasil, que proverá infraestrutura de conexões de banda larga no atacado, para quaisquer operadoras no País (por isso chamada de “rede neutra”). Havia cinco ofertas firmes na mesa, mas a Telefônica optou por fechar com o CPDQ pela maior capacidade de investimento do fundo e pelo seu viés de retorno no longo prazo.

Mezza mezza. A divisão do negócio será rigorosamente meio a meio. O CPDQ ficará com 50%, enquanto os outros 50% serão divididos entre a Telefônica Brasil (25%) e a Telefônica Infraestrutura, braço do grupo do ramo de redes (25%).

Estratégia. Ao contrário de Oi e TIM, que planejam criar empresas de fibras nas quais os sócios financeiros terão participação majoritária, a Telefônica optou por uma divisão meio a meio para ter o controle compartilhado da Fibrasil. Nesse caso, cada sócio terá quatro dos oito assentos no conselho de administração, enquanto o CEO será escolhido por headhunters.

Dinheiro na mesa. O Fundo de Previdência e Investimentos de Quebéc (CPDQ, na sigla em francês) tem cerca de US$ 300 bilhões em recursos sob gestão ao redor do mundo. Aqui, terá o compromisso de investir R$ 1,8 bilhão na construção das redes nos próximos dez anos. Já a Telefônica vai ceder à nova empresa parte de sua rede, com cobertura de 1,6 milhão de residências. Além disso, a operadora será a primeira cliente da Fibrasil, passando a “alugar” essas redes.

Alvo. Até o fim de 2024, a meta é chegar a 5,5 milhões de casas em todas as regiões do País, com exceção de São Paulo, onde a operadora atua por meio de concessão. Com as redes instaladas, a estimativa é de adesão de 30% dos clientes ao longo de dois a três anos, o que representa um potencial de 1,65 milhão de assinantes ao fim desse ciclo. A Fibrasil deve iniciar os trabalhos no segundo trimestre, após receber autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Pano de fundo. A estratégia das teles em lançarem empresas independentes serve para acelerar a expansão das redes e dividir o peso de fazerem, sozinhas, os investimentos bilionários. Também ajuda a acirrar a competição no interior do País, onde as operadoras regionais dominam quase metade do mercado de banda larga.

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