Tempestade perfeita no mercado de óleo e gás começa a impactar fornecedores

Tempestade perfeita no mercado de óleo e gás começa a impactar fornecedores

Amanda Puppo

14 de abril de 2020 | 04h15

A crise começou a ter impactos entre os principais fornecedores da indústria de petróleo e gás. Na semana passada, a Aker Solutions demitiu quase 30 empregados em várias unidades do País, a maioria na área administrativa e gerencial. A empresa produz equipamentos para exploração de petróleo em águas profundas (subsea).

Tempestade perfeita. Fortemente influenciado pela queda na cotação do barril e pelo aumento do dólar, o setor de petróleo e gás deve ser um dos mais afetados por uma crise sem precedentes – sem contar com os efeitos da pandemia do novo coronavírus, que, em conjunto, afeta oferta, demanda e preços.

Chão de fábrica. Segundo apurou a Coluna, a Aker também procurou o sindicato para negociar a redução de empregados na linha de produção da fábrica de São José de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR).

Outro lado. Procurada, a Aker informou que alguns dos principais clientes cancelaram investimentos, o que, consequentemente, reduziu a carteira de projetos da companhia. “A companhia tem tomado medidas para assegurar a sustentabilidade das operações no Brasil, desde a redução em custos diretos e indiretos, bem como ajustes no seu quadro de colaboradores”, diz a nota enviada à Coluna.

E no mundo? Em comunicado em seu site, a Aker informou que está fazendo ajustes em suas unidades em todo o mundo, com corte de custos e pessoal, além de incentivo a aposentadorias. Os salários serão congelados e bônus variáveis não serão pagos. Nesse mesmo texto, a Aker informou que seus investimentos serão reduzidos em 45% neste ano. Øyvind Eriksen, CEO da Aker Asa, holding do grupo, e chairman da Aker Solutions, que é a empresa no Brasil, disse à imprensa norueguesa que os negócios estão em crise. “Nunca experimentei nada assim nos 180 anos de história industrial do Aker”, disse.

Mais demissões. Também fornecedora na cadeia de petróleo e gás, a Halliburton enviou comunicado aos empregados, no qual afirma que a crise da covid-19 traz desafios adicionais à indústria. Jeff Miller, presidente e CEO da companhia, menciona que o petróleo está no valor mais baixo dos últimos 17 anos e os clientes estão cortando investimentos. A contratação de sondas, diz o texto, caiu 18% desde o início de 2020 e a expectativa é que diminua ainda mais ao longo do ano. “É com pesar que anuncio que, nas próximas semanas, reduziremos significativamente nossa força de trabalho”, afirma o comunicado. Os salários do comitê executivo da empresa serão reduzidos, e o reajuste anual de 2020 será suspenso. A empresa tem três bases de serviços em Macaé (RJ).

 

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