TIM capta R$ 1,6 bi na maior emissão de dívida com selo social e ambiental

TIM capta R$ 1,6 bi na maior emissão de dívida com selo social e ambiental

Cynthia Decloedt e Circe Bonatelli

16 de junho de 2021 | 05h00

Antena da TIM com painel solar. Empresa tem meta de eficiência energética.  Foto: Divulgação/Highline

A TIM Brasil acertou a captação de R$ 1,6 bilhão por meio da emissão de debêntures de infraestrutura atreladas a compromissos no campo ambiental e social. Esta é a primeira operação do gênero no setor de telecomunicações no País e a maior já realizada em todo o segmento de infraestrutura, superando a emissão da empresa de logística Rumo (R$ 1,5 bilhão) em maio – um sinal do apetite crescente do mercado de capitais por esta classe de ativos.

A obtenção do selo de sustainability linked debenture (SLD) pelo proponente depende da definição de metas claras e que possam ser monitoradas. Neste caso, a TIM prometeu levar o 4G para todos os 5.570 municípios do País até o fim de 2023, um salto de 43,6% na cobertura, que chegava a 3.877 no fim de 2020.

A iniciativa vai conectar cidades com menos de 30 mil habitantes, que não fazem parte das obrigações regulatórias estabelecidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Essas localidades costumam ficar de fora dos investimentos prioritários das teles por não oferecerem um retorno financeiro atrativo. “Sem esse compromisso que estamos tomando agora, dificilmente muitas dessas cidades pequenas teriam o sinal 4G”, ressaltou o CEO da TIM, Pietro Labriola, em entrevista ao Broadcast.

O segundo compromisso da TIM é aumentar em 80% a sua eficiência energética até 2025. Na prática, isso significa transportar mais dados (medidos em bytes) por unidade de energia desprendida (medida em joules).

Metas ambientais reduzem o custo da dívida

Se cumprir as metas, a tele vai ter uma redução de até 0,25 ponto porcentual no pagamento da dívida com a emissão das debêntures, que tem vencimento em sete anos. Ou seja, o custo cairá de 4,1682% + IPCA para 4,032% a partir de dezembro de 2023 (na conclusão da meta do 4G) e, depois, para 3,9182% em 2025 (ao cumprir a meta de eficiência energética). O Bureau Veritas foi contratado para certificar de que está tudo nos conformes.

“A sustentabilidade à moda antiga ficava à borda do negócio, tentando corrigir externalidades negativas nascidas do próprio negócio. Agora é uma cultura de input. Estamos abastecendo o negócio com insumos que respeitam os parâmetros de ESG (meio ambiente, impacto social e governança corporativa) ”, explicou o diretor institucional, Mario Girasole.

As debêntures têm um único subscritor, o Itaú BBA. O banco de investimentos tem atuado fortemente para estimular e ajudar as empresas nesses tipos de emissão e relacionar os compromissos no campo ESG ao perfil de negócio dos proponentes. Toda a emissão de R$ 1,6 bilhão da TIM ficará no balanço do Itaú BBA, que não pretende realizar operações no mercado secundário.

Nos últimos meses, o banco já sustentou operações envolvendo títulos SLD de Rumo, Via Varejo e Boticário. “Nossa estratégia ao carregar papéis como esse em nossa carteira é incentivar a adoção de posturas corretas de sustentabilidade”, diz o executivo responsável pelo mercado local de dívida no Itaú BBA, Guilherme Maranhão. Como as debêntures são de infraestrutura, banco terá benefício de isenção de 15% de Imposto de Renda sobre o juro que irá receber da TIM.

Operadora traçou meta para ter 100% da energia renovável

O plano de negócios da TIM ainda embute um terceiro compromisso no campo ESG que pode servir de lastro para futuras operações envolvendo a emissão de títulos sustentáveis. A operadora anunciou, neste primeiro semestre, o compromisso de elevar para 100% o uso de fontes renováveis em suas operações até 2025. Hoje esse patamar está em 74%. “Outras próximas emissões podem ser ESG”, antecipou o Diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Adrian Calaza.

Os recursos levantados pela TIM serão utilizados para sustentar os investimentos em 4G, e preparação das redes para a chegada do 5G, incluindo outorgas e obrigações oriundas do leilão das faixas. O plano de negócios para o triênio 2021-23 prevê aportes totais de R$ 13 bilhões no período. A operadora também faz parte do consórcio composto por Vivo e Claro, que deu um lance conjunto de R$ 16,5 bilhões para aquisição das redes móveis da Oi. Há, portanto, uma série de desembolsos volumosos pela frente.

A TIM tem explorado diversas alternativas para reforçar o caixa. Em abril, a tele obteve aprovação do Ministério das Comunicações para emissão de até R$ 5,7 bilhões em debêntures incentivadas para projeto de investimento em infraestrutura, passando por redes fixas e móveis, datacenters, comunicação máquina a máquina (M2M), entre outros. Com o sinal verde do governo federal, o projeto de emissão de debêntures incentivadas da TIM se tornou o maior do setor de telecomunicações, ultrapassando a Claro (R$ 4,0 bilhões).

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 15/06, às 18h36.

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