TIM e C6 unem serviços de telecom e bancos, tendência no mercado

TIM e C6 unem serviços de telecom e bancos, tendência no mercado

Circe Bonatelli

10 de julho de 2020 | 10h11

Loja da TIM na Av. Paulista, em São Paulo. Crédito: Divulgação da empresa

Loja da TIM na Av. Paulista, em São Paulo. Crédito: Divulgação da empresa

A operadora TIM Brasil e o banco digital C6 estão dando largada hoje a uma oferta conjunta pela qual os clientes da tele que abrirem uma conta na instituição financeira e/ou pagarem suas recargas e faturas por lá ganharão como bônus gigabytes extras em seus pacotes de dados. A iniciativa é a primeira de uma série que está sendo desenhada como resultado da simbiose entre as duas empresas.

Neste primeiro momento, as ofertas terão como foco os clientes pré-pagos e do plano controle. Para as recargas a partir de R$ 15 haverá um bônus de 3 GB com validade de 7 dias. E para os clientes do plano controle, o bônus será de 4GB por 30 dias. A campanha publicitária começa a rodar hoje, com foco no plano controle. Já a oferta para o pré-pago foi colocada em prática sem holofotes há cerca de um mês, para testes. Ainda neste ano, estão previstas ofertas semelhantes para usuários do pós-pago puro e da banda larga TIM Live.

As iniciativas são fruto de um acordo fechado em março entre as duas empresas por meio do qual a TIM tornou-se sócia do C6, com participação no capital crescendo proporcionalmente ao número de clientes da tele que abrirem uma conta no banco. As partes não revelam qual fatia máxima a tele poderá alcançar na instituição financeira, mas informam que se limitará a uma participação minoritária.

“A TIM tem 52 milhões de clientes no Brasil. Eu me arrisco a dizer que todos têm potencial de abrir uma conta no banco”, afirma o vice-presidente de Estratégia e Transformação da TIM, Renato Ciuchini, em entrevista exclusiva ao Broadcast para antecipar as novas ofertas. “Quanto mais sucesso tivemos nestas ofertas, mais parceiros seremos do banco”, sintetiza.

Esta é uma das mais profundas parcerias fechadas até agora no setor de telecomunicações, onde todas as grandes operadoras têm buscado ofertar serviços de outras áreas – como finanças, educação, saúde e entretenimento, etc – para seus milhões de clientes, numa tentativa de diversificar as fontes de receita e aumentar a presença na vida dos usuários.

No caso de hoje, a TIM também vê como benefício em direcionar suas recargas para o banco a chance de enxugar custos com comissões aos pontos tradicionais de recargas, como mercados e bancas de jornais. A partir dessa economia, vai bombar os pacotes de dados, gerando um diferencial perante os concorrentes.

Por sua vez, o C6 busca alavancar o crescimento da sua base. O banco digital nasceu em 2018 e atingiu a marca de 2 milhões de clientes em maio. Neste ramo, ganho de escala é fundamental para se diluir os custos dos serviços que são gratuitos. Os bancos digitais, em geral, não cobram tarifas por manutenção de conta corrente, transferências de dinheiro ou uso de cartões. Em vez disso, ganham dinheiro com a concessão de crédito.

Dos 52 milhões de clientes da TIM, 40% são pós-pagos (a grande maioria assinante do plano controle) e 60% são pré-pagos. Neste último segmento, o principal perfil são de pessoas de baixa renda, entre as quais muitas sequer têm conta em banco. Mas na visão do sócio do C6, Marcos Massukado, isso não é um problema para a combinação de negócios com a operadora. Na sua visão, também há um potencial enorme de atrair consumidores não-bancarizados.

“Ao atingirmos a marca de 2 milhões de clientes em nossa carteira, chegamos a pessoas espalhadas por mais de 90% dos municípios do Brasil. Muitas, portanto, não eram bancarizadas”, observa Massukado. “Esse cliente não ficava fora de um banco porque queria, mas sim porque não tinha dinheiro para pagar as tarifas todo mês. Ao se eliminar essa barreira, não tem motivo para o cliente não ter conta em banco”, argumenta.

O executivo da TIM acrescenta que 60% dos adultos sem conta em banco no País têm, entretanto, celular com acesso à internet. “Ou seja, o Brasil tem uma grande concentração de pessoas conectadas, mas sem conta em banco, justamente porque os bancos tradicionais cobram tarifas”, aponta Ciuchini. “Não vemos resistência para a combinação. É uma combinação perfeita. Nós acreditamos na digitalização do dinheiro nos próximos anos. Por isso nossas empresas se cruzam”.

Contato: circe.bonatelli@estadao.com

A reportagem foi publicada com exclusividade hoje, às 7 horas, no Broadcast, plataforma de informações econômicas e financeiras do Grupo Estado.

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