TIM prega cautela com 5G para evitar frustração de consumidores

TIM prega cautela com 5G para evitar frustração de consumidores

Circe Bonatelli

15 de novembro de 2021 | 13h53

 

Loja da TIM na Av. Paulista, em São Paulo. Crédito: Divulgação da empresa

Loja da TIM na Av. Paulista, em São Paulo. Crédito: Lucas Galli/Divulgação

Dias após sair como uma das principais vencedoras do leilão nacional de radiofrequências, a TIM defende cautela no plano de negócios relacionado ao 5G. A ordem na casa é ativar o sinal da nova geração de internet o mais rápido possível, desde que haja um ecossistema capaz de garantir que o cliente perceberá a qualidade do novo serviço. Sem isso, o risco é decepcionar os consumidores.

“Se quisermos fazer um pacote com preço diferenciado, e a cidade não é completamente coberta, haverá um problema aí”, diz o presidente da TIM, Pietro Labriola, em entrevista ao Broadcast. “É preciso cuidado para não inflacionar o 5G e arriscar de o cliente não reconhecer essa qualidade. Isso vai dificultar a monetização do 5G lá na frente”, alerta.

A operadora está pronta para ativar o 5G assim que a faixa de 3,5 Ghz estiver disponível, mas ainda não se sabe quando isso estará concluído. Isso porque a faixa precisará passar por limpeza para evitar interferência com o sinal das antenas parabólicas. Já o prazo máximo para ligar o 5G é julho de 2022 nas capitais.

Até lá, a TIM descarta lançar o 5G a partir da faixa de 2,3 Ghz – uma iniciativa considerada ao menos por Vivo e Algar. A faixa de 2,3 Ghz é amplamente utilizada para o 4G e não oferecerá a melhor experiência no 5G. Ainda assim, algumas empresas veem aí uma oportunidade para se começar a testar a nova tecnologia, as ofertas comerciais e, claro, fisgar clientes.

Por sua vez, a TIM usará a faixa de 2,3 Ghz somente para reforçar a sua cobertura de 4G. Futuramente, pode combiná-la com as demais para oferecer o 5G, mas isso não será feito no curto prazo.

Labriola acredita que não há motivos para uma corrida publicitária das operadoras para se tornar a primeira a anunciar o 5G. Essa comunicação foi esvaziada do ano passado para cá, quando as rivais Claro, Vivo e Oi passaram a divulgar a oferta de planos 5G DSS.

Trata-se de uma adaptação que melhora o sinal de internet, mas ainda está muito abaixo da qualidade do 5G “puro” que será oferecido a partir de agora. O próprio Ministério das Comunicações apelou às teles para suspender essas campanhas publicitárias para não confundir os consumidores.

A TIM ficou de fora dessa corrida na modalidade DSS. “A comunicação de que o 5G existe já aconteceu. Mas no futuro o que vai diferenciar as operadoras é falar a verdade, não a mentira”, critica Labriola.

Nos dois dias de leilão, a TIM arrematou 11 lotes, com o valor ofertado total de R$ 1,05 bilhão. Com isso, foram assumidos compromissos de destinar R$ 2,1 bilhões para a Empresa Administradora da Faixa (EAF), que está encarregada da limpeza da faixa de 3,5 Ghz e implementação do programa de conexão da Amazônia e da rede privativa do governo federal. E outros R$ 630 milhões irão para a Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (Eace), que levará internet para escolas públicas.

Igualdade para todos

Labriola, que também é presidente do sindicato patronal das grandes teles (Conexis), diz que o setor passará a trabalhar com mais intensidade na defesa de condições iguais de competição com as empresas que prestam serviços de comunicação e entretenimento a partir das redes das operadoras – as chamadas over the tops (OTTs).

Esse é o caso de grupos como Whatsapp, Telegram, Facebook, Netflix, Instagram, e muitas outras que não precisam se sujeitar às mesmas regras que TIM, Vivo, Claro ou Oi, por exemplo. Essa disputa é uma bandeira que vem sendo levantada ao longo da última década pelas grandes teles, mas sem sucesso até agora.

Labriola propõe que a solução seja equalizar as regras para todos, liberando as grandes teles de obrigações que não são impostas aos OTTs. “Se é neutro, deve valer para todos. Qual o telefone de contato do Facebook? Onde fica o ponto físico de atendimento da Netflix?”, questiona Labriola, lembrando que as operadoras são obrigadas pela Anatel a criar linhas para responder aos consumidores com limites de tempo de espera, enquanto os OTTs atuam sem o mesmo tipo de imposição.

Com a chegada da nova geração de internet e o surgimento de novos aplicativos, existe uma dúvida de investidores se a neutralidade das redes é uma oportunidade ou uma ameaça às operadoras. “O Facebook já começou a transmitir partidas de futebol da Copa Libertadores de graça. Se amanhã, ele decidir transmitir uma final de Copa do Mundo com o Brasil, como eu vou mensurar a quantidade de rede que preciso disponibilizar?”, questiona. “E se o Facebook não funciona, a responsabilidade aos olhos do consumidor é de quem? A imagem ruim que fica é das operadoras”.

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 10/11/2021 às 16h38

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