UBS-BB vai manter identidade de banco de atacado e levar sofisticação a clientes BB

UBS-BB vai manter identidade de banco de atacado e levar sofisticação a clientes BB

Cynthia Decloedt

05 de outubro de 2020 | 13h44

Da esquerda para a direita, Daniel Bassan, presidente executivo do UBS-BB; André Brandão, presidente do BB; Sylvia Coutinho, reponsável pela operação do UBS no Brasil, e Hélio Magalhães, presidente do Conselho de Administração do BB.

Embora a união do Banco do Brasil e do UBS na área de banco de investimento remeta à ideia de que a mira seja o crescente e cada vez mais disputado investidor pessoa física de varejo, o objetivo maior do UBS-BB, nome da joint venture oficialmente inaugurada hoje, é na verdade sofisticar o atendimento de grandes clientes corporativos, que em sua maioria estão dentro do banco público. Com isso, a nova empresa esperar figurar nos primeiros lugares nos rankings de maior número de operações de captações feitas para empresas nos mercados de ações e de dívida, assim como de projetos de infraestrutura e transações de fusões e aquisições.

“A palavra que usamos é colaboração. É uma troca de conhecimento setorial, entre o olhar global do UBS e do corporate officer (profissionais que atendem as empresas) do BB. A ideia é ganhar toda a força e ter a melhor execução e a melhor solução e não simplesmente oferecer um produto”, explica o presidente executivo do UBS-BB, Daniel Bassan, em conversa com o Broadcast.

Nesse sentido, Bassan destaca o alcance do banco no mundo, com visões setoriais globais e também de pontenciais investidores, expertise que o UBS-BB quer agregar às propostas de transações de banco de investimento a serem oferecidas à base de 12 mil clientes corporativos do BB. Ele lembra ainda que o UBS mantém seu braço de gestão de fortunas, o UBS Consenso, onde o banco continua investindo.

Pelo acordo, os clientes vêm do BB e as operações que envolvem oferta de ações ou debêntures, por exemplo, são originadas dentro do UBS-BB e distribuídas para investidores institucionais, como assets, pelo UBS e para os de varejo, pelo BB.

O novo presidente do BB, André Brandão, complementa afirmando que a plataforma do UBS-BB pode ainda voltar-se ao segmento de médias empresas. “O segmento de middle market, emergentes no mercado, poderão acessar o mercado doméstico e posteriormente irem migrando para o internacional e para à renda variável. Avalio que ainda temos um momento importante de M&A no mercado e poderemos contribuir”, disse ao Broadcast.

Brandão lembra que o BB tem de destacado há muito tempo no segmente de mercado de capitais e que a melhor forma para acelerar o negócio, é por meio da parceria. “Especialmente neste momento de crescimento do mercado de capitais, o melhor caminho foi encontrar um parceiro para complementar nossas atividades. E o UBS tem as características necessárias, principalmente por nos conectar a sua plataforma internacional”, acrescentou ainda.

Oportunidades importantes são vistas para o UBS-BB também em infraestrutura, dada a profundidade de conhecimento em vários setores globalmente, como de logística e tecnologia. “Gostaríamos de ajudar a trazer capital estrangeiro para a infraestrutura de modo geral do Brasil, onde tem muito a ser feito ainda”, afirmou o executivo. Com sede em São Paulo, o UBS BB prestará serviços de banco de investimento no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Paraguai e Uruguai e corretora de títulos institucionais no Brasil.

Bassan foi indicado pelo UBS, mas coube ao Banco do Brasil à indicação de Hélio Magalhães como presidente do Conselho de Administração. Os nomes dos membros do Conselho e da diretoria do UBS-BB foram divulgados na quinta-feira, um dia após o anúncio da conclusão formal do acordo para a criação da joint-venture.

Embora o acordo tenha sido firmado em novembro do ano passado, este é o primeiro importante anúncio feito na gestão de André Brandão, que assumiu a presidência do banco há duas semanas. “O Banco do Brasil tem, por muito tempo, crescido na parte de mercado de capitais. Fizemos muito até o momento, mas a melhor forma para acelerar agora, especialmente neste momento de crescimento do mercado de capitais, foi encontrar um parceiro para complementar nossas atividades. E o UBS tem as características necessárias, principalmente por nos conectar a sua plataforma internacional. Da parte do BB, destaco a possibilidade de adicionarmos a essa plataforma o segmento de middle market, que são os emergentes no mercado e que poderão acessar o mercado doméstico e depois ir migrando para o internacional e para a parte de renda variável. Avalio que ainda temos um momento importante de M&A no mercado e a gente vai poder ajudar.”

Brandão tem um assento no conselho de administração do UBS-BB, assim como Francisco Lassalvia, Diretor de Mercado de Capitais, Banco do Brasil. Sylvia Coutinho, reponsável pela operação do UBS no Brasil, é vice-presidente e membro do conselho do UBS-BB. Compõem ainda o conselho de administração, Darryll Hendricks, Diretor de Operações das Américas, UBS e Ros L’Esperance, Co-Chefe de Banca Global, UBS Investment Bank.

O executivo afirmou também que o UBS-BB está montando a casa, o que quer dizer, contratando profissionais do mercado e trazendo pessoas do BB para a joint-venture, assim como a oportunidade para aqueles que estão no UBS no mundo. A equipe de mercado de capitais voltada para a estruturação de operações de captação por meio de títulos de dívida, como debêntures, em quadros do BB.

Copo meio cheio

Embora os mercados tenham balançado nas últimas semanas, o CEO do UBS-BB enxerga retomada de muitas operações em bolsa que foram postas de lado por conta da turbulência causada com preocupações com a dívida do Brasil, as eleições norte-americanas e uma segunda onda de covid-19 no mundo. “É só questão de ajuste. A execução tem de ser mais dedicada e a conversa com os investidores mais sofisticada”, disse.

Contato: cynthia.decloedt@estadao.com

 

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