Um ano após reposicionamento, Ágora busca 25% do mercado em 2021

Um ano após reposicionamento, Ágora busca 25% do mercado em 2021

Fernanda Guimarães, Teresa Navarro e Cristiane Barbieri

07 de setembro de 2020 | 19h06

Menos de um ano depois de anunciar o reposicionamento da Ágora, a corretora voltada às pessoas físicas do Bradesco tem crescido forte, mesmo na pandemia. Desde dezembro, o número de clientes aumentou 30%, chegando aos 480 mil. Houve um motivo básico: o juro real quase zerado tem impulsionado os brasileiros a ousarem mais em suas aplicações – e nas formas de investir. Também existiram razões operacionais: uma estratégia abrangente, que envolve tecnologia, treinamento e uma base crescente de operações, entre outras iniciativas. Com esse ritmo acelerado, a meta agora é de abocanhar um quarto do mercado de investimentos do País, até o fim de 2021.

Para levar adiante o plano, no competitivo ambiente das plataformas de investimento, está Leandro Miranda. No começo do ano passado, ele deixou o banco de investimento do Bradesco para assumir a Ágora, a diretoria de relações com o mercado da instituição financeira, além da área de fundos de private equity e aqueles que investem em startups. “Na Ágora, atendemos não só aos clientes do Bradesco, mas de todo e qualquer banco. O DNA é ser independente, ter liberdade, trabalhar na velocidade e na forma em que o mercado tiver trabalhando. Por isso que se chama Ágora e não Bradesco Corretora”, disse, em entrevista ao Broadcast.

Diante da briga no mercado de agentes autônomos, profissionais que foram a base de crescimento da concorrente e líder XP, a Ágora decidiu apostar, em paralelo, em um profissional “híbrido”. Ele nasce com o treinamento dos gerentes das agências bancárias, que tendem a diminuir de número com a maior digitalização – acelerada durante a pandemia.

Miranda afirma que dentre os diferenciais desse profissional está o fato dele ter mais tranquilidade financeira por ter salário fixo (ao contrário do agente autônomo) e por receber, ainda,  o bônus atrelado à produção. “Criamos um novo bicho”, diz. Na Ágora, eles são chamados de agentes internos de investimento

Com crescimento que Miranda afirma ser “de fintech”, a corretora do Bradesco vem sendo assediada por fundos de private equity e “provocada”, por bancos de investimento para fazer uma abertura de capital na B3. Segundo ele, porém, até aqui, não há decisão nesse sentido. “Temos recebido inúmeras provocações, tanto de bancos de investimento, como de fundos de private equity querendo ser sócios. Inúmeras. Toda semana sento com um ou dois. Temos capital bastante robusto na organização e estamos em uma expansão muito rápida da Ágora. Pode ser que em um determinando momento seja conveniente, mas por enquanto deixaríamos muito dinheiro na mesa”, diz.

Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista:

Broadcast: Que mudança a crise causada pela pandemia pode ser uma herança no mundo dos investimentos?

Leandro Miranda: A proteção patrimonial veio para ficar. As pessoas vão ter uma reserva em bancos de primeiríssima linha e de acordo com seu perfil de investimento. O mundo está ainda cheio de incertezas e, nesse momento, ele identifica que é preciso um assessor financeiro. Haverá continuidade e crescimento no investimento em tecnologia, mas isso não vai substituir o assessor (de investimentos). Temos hoje novos investidores em grande número, que estão deslumbrados com os ganhos no mercado acionário. Eles são bombardeados com marketing inverídico e incompleto. É fundamental primeiro impor um ‘legal compliance’ responsável, para que todo e qualquer investidor tenha seu perfil corretamente avaliado.

Broadcast: Como está o desempenho da Ágora após o novo posicionamento, com a Bradesco Corretora ficando com os investidores institucionais e a Ágora voltada às pessoas físicas?

Miranda: Em seis meses batemos todas nossas metas. Tivemos crescimento de 30% da base de clientes, sendo que a meta era de 20%. Houve incremento das negociações de 350%, o dobro da meta. Aumentamos também o número de transação de clientes em 400%. É claro que a pandemia ajudou nesse sentido. Tivemos crescimento de 239% na abertura de novas contas. No ranking da B3, passamos do 10º lugar em termos de negociação em dezembro para 3º no fim de julho. No processo, percebemos que o Next (banco digital do Bradesco) é uma plataforma importante para o crescimento. Hoje, ele tem 3,8 milhões de clientes. A Ágora é a plataforma exclusiva de investimento desse cliente, sem que ele precise mudar de aplicativo.

Broadcast: Como o sr. vê a polêmica em torno dos agentes autônomos?

Miranda: Respeitamos e gostamos da figura de agente autônomo de investimentos. Temos um grupo que trabalha muito bem conosco e são importantes. Temos agentes, mas queremos crescer também por outras vias. Pelo modelo tradicional, os novos agentes ainda não estabelecidos, têm dificuldade em pagar suas contas e há pressões na hora de se oferecer um produto. Diante disso, montamos no Bradesco um programa que vai ao encontro da tecnologia e do que está acontecendo no mercado. Na pandemia, houve uma aceleração do uso dos canais digitais. Naturalmente, com o tempo, os bancos não vão precisar de ter tantas agências, que acabarão se tornando escritórios de investimentos. Quando olhamos para nossa base de gerentes, percebemos que eles podiam ser treinados para estar nos mesmos níveis de quem trabalha em plataformas. Foi isso o que fizemos. Esses agentes internos de investimento, como os chamamos, conseguem desde o começo, pagar suas contas com salário e ganhar de forma meritocrática seu bônus conforme sua produção, algo que ele busca quando vai ser agente autônomo. E ainda tem uma carreira no Bradesco, comumente eleito como um dos melhores lugares pra se trabalhar. São mais de 20 mil gerentes no Bradesco.

Broadcast: Qual a dependência da Ágora em relação ao Bradesco?

Miranda: Na Ágora, não atendemos só clientes do Bradesco, mas de todo e qualquer banco. O DNA da Ágora é ser independente, ter liberdade, trabalhar na velocidade e na forma em que o mercado estiver trabalhando. Por isso que se chama Ágora e não Bradesco Corretora. A atualização tecnológica foi violentíssima na plataforma, que tem hoje tecnologia de ponta. A Ágora é uma plataforma híbrida: tem o melhor do banco tradicional, com sua reputação e sistemas de liquidação, com o melhor das corretoras abertas.

Broadcast: Está no planejamento a abertura de capital da Ágora?

Miranda: Temos recebido inúmeras provocações, tanto de bancos de investimento, quanto de fundos de private equity, que querem ser sócios. Toda semana sento com um ou dois. Mas temos capital bastante robusto na organização e estamos em uma expansão muito rápida. Pode ser que em um determinando momento seja conveniente, mas por enquanto deixaríamos muito dinheiro na mesa, porque o crescimento da Ágora é de fintech. Quando se tem um crescimento muito rápido, a primeira rodada de investimento é muito mais barata do que você vai fazer depois de três a seis meses.

Broadcast: Como o sr. vê a concorrência com as fintechs?

Miranda: Não vemos as fintechs como ameaça, mas como parceiras. Elas trazem tecnologia, rapidez, alguns produtos e serviços que demoraríamos mais tempo para atender. Como muitas vezes elas são mono produtos, são mais rápidas. As fintechs foram competitivas em produtos sem tarifas, mas acabaram não sendo rentabilizadas, porque não têm plataforma de investimento, nem banco de investimento, nem foram bem sucedidas em empréstimos. Até agora, não mostraram terem um modelo adequado. Não vimos no Brasil ou no mundo nenhuma fintech bem sucedida com financiamento.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 27/08/2020 às 16:54:20.

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