Vai vender um imóvel? Preço vai finalmente desencantar, dizem analistas

Vai vender um imóvel? Preço vai finalmente desencantar, dizem analistas

Circe Bonatelli

06 de janeiro de 2020 | 11h40

Prédios da região da Avenida Paulista e Jardins visto da Avenida Faria Lima – Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

 

As casas e os apartamentos devem se valorizar em 2020 após anos consecutivos em baixa. Na cidade de São Paulo, onde a economia está mais aquecida, o movimento de alta nos preços já começou, e está ganhando força. Nas outras capitais, os preços ainda patinam, mostrando queda em alguns casos, mas tendem a se recuperar, de acordo com estimativa de analistas do mercado.

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O Brasil tem duas grandes pesquisas que apuram o preço dos imóveis residenciais. Embora a base dos dados de cada uma seja diferente, ambas têm revelado a tendência de alta.

Uma dessas pesquisas de preços é feita com base nos valores da avaliação bancária dos imóveis vendidos por meio de financiamento em 10 capitais, apurados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

O levantamento mais recente informou que, na média, os preços das moradias cresceram 3% no acumulado de janeiro a novembro de 2019, uma aceleração perante os 0,55% no mesmo período de 2018. O avanço foi puxado por São Paulo, onde os preços subiram 5,18%, superando a inflação. Além disso, os preços em todas as 10 capitais analisadas ficaram no campo positivo, incluindo Rio de Janeiro e Recife, que estavam no vermelho no ano anterior.

 Preço dos imóveis – Pesquisa Abecip 
   2018 2019
São Paulo1,165,18
Rio de Janeiro-1,570,33
Belo Horizonte0,241,97
Brasília0,293,21
Salvador1,472,74
Fortaleza0,640,93
Recife-0,051,45
Porto Alegre0,973,24
Curitiba0,923,56
Goiânia1,122,22
Média0,553,01

Fonte: Abecip. Valores em porcentual (%). Dados de janeiro a novembro de cada ano. Considera os valores da avaliação bancária dos imóveis vendidos por meio de financiamento

Outra pesquisa importante é feita a partir dos valores dos anúncios em 50 cidades no site Zap, apurados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Este levantamento apontou que, na média, a alta foi de 0,02% no acumulado de janeiro a novembro de 2019. Embora tímido, o resultado representa uma reversão ante os mesmos meses de 2018, quando houve recuo de 0,32%.

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A sondagem da Fipe também apontou uma recuperação puxada por São Paulo, onde os preços tiveram alta de 2,02%. Já nas outras capitais, a situação é heterogênea, com muitas regiões em baixa. A título de comparação, a tabela abaixo trouxe os dados das mesmas dez capitais citadas acima.

 Preço dos Imóveis – Pesquisa Fipe 
   2018 2019
São Paulo1,582,02
Rio de Janeiro-3,57-2,09
Belo Horizonte-0,21-0,70
Brasília-0,79-1,02
Salvador0,330,98
Fortaleza-2,04-5,35
Recife0,22-1,93
Porto Alegre1,23-0,01
Curitiba1,77-2,9
Goiânia2,110,75
Média-0,320,02

Fonte: Fipe. Valores em porcentual (%). Dados de janeiro a novembro de cada ano. Considera os valores dos anúncios de imóveis no site Zap

Projeções

Para 2020, a projeção é que a melhora do mercado imobiliário se espalhe por mais regiões, segundo o coordenador da pesquisa da Fipe, Eduardo Zylberstajn. “É pouquíssimo provável que não haja uma alta crescente nos preços”, afirmou. “São Paulo ainda concentra a maior atividade, mas, aos poucos, veremos isso ao redor do País”, completou.

A expectativa de reaquecimento do mercado é baseada em um conjunto de fatores. O principal deles é a queda nas taxas de juros do financiamento imobiliário, tornando a compra acessível a cada vez mais consumidores. Na Caixa Econômica Federal, que detém dois terços do mercado de empréstimos para compra da casa própria, a menor taxa caiu de 8,5% ao ano no fim de 2018 para o patamar atual de 6,5% ao ano.

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A cada ponto porcentual de redução nos juros imobiliários, 2,8 milhões de famílias passam a ter condições potenciais de contratar esse tipo de crédito, segundo estudo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). Isso significa que o movimento da Caixa pode ter aberto o mercado a cerca de 5,6 milhões de novos compradores.

Outro ponto é o avanço lento, mas constante, da geração de emprego e renda, aumentando a confiança da população de modo geral. Além disso, havia uma demanda reprimida dos tempos de crise, quando muitas pessoas postergaram a decisão de compra da casa própria.

“Dadas todas as condições de juros baixos, renda aumentando e confiança crescente, é provável que o mercado tenha uma alta relevante nos preços, superando a inflação, principalmente em São Paulo”, disse o analista de construção civil do banco BTG Pactual, Gustavo Cambaúva.

Segmentos

A recuperação do mercado em 2020 deve ser puxada pelo setor de apartamentos voltados para a classe média, na faixa de R$ 300 mil a R$ 1 milhão nas capitais, avaliou o presidente da imobiliária Brasil Brokers, Cláudio Hermolim.

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“Neste segmento, o cara não tem dinheiro guardado para comprar um imóvel à vista. Ele depende de financiamento a juros baixos, o que já existe. Depende também de emprego e renda, o que esperamos que melhore no ano que vem”, disse. “Dado que estamos voltando a ver demanda, haverá naturalmente uma pressão de alta de preços, porque a oferta de imóveis é limitada”, completou Hermolim.

Do lado das construtoras, os últimos trimestres foram marcados por um escoamento dos estoques de apartamentos novos que estavam encalhados. No fim de setembro, o Brasil tinha um estoque de 124,6 mil residências (na planta, em obras e recém-construídas), 30% menos do que três anos antes, quando estava em 178,5 mil, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Com o aumento da demanda e a redução da oferta de moradias novas, a tendência é de subida nos preços, apontou o analista de construção civil do banco Crédit Suisse, Luis Stachinni. “Os imóveis em fase de lançamento já estão mais caros do que no ano passado. E a tendência é que isso continue”, disse.

Já o preço dos usados costuma demorar um pouco mais para crescer, porque a compra exige um desembolso do valor total no ato. Já os novos têm o pagamento da entrada facilitada durante o período da obra até a entrega das chaves, o que dá um pouco mais de flexibilidade para os reajustes de preços, explicou Stachinni.

Após anos sob pressão de baixa, empresários de toda a cadeia produtiva querem aproveitar o momento para recompor a lucratividade. “Os terrenos em São Paulo já subiram de preço, especialmente com a maior procura das construtoras. Fornecedores de materiais por muito tempo represaram preços, mas já voltaram a subir. Então, esses aumentos vão ser repassados para o preço final”, previu o dono da construtora Kallas, Emílio Kallas.

Notícia publicada no Broadcast dia 31/12/2019, às 13:21:50

Contato: circe.bonatelli@estadao.com

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