Venda da Oi Móvel para TIM, Vivo e Claro é fechada com acréscimo de R$ 178 milhões

Venda da Oi Móvel para TIM, Vivo e Claro é fechada com acréscimo de R$ 178 milhões

Circe Bonatelli

21 de abril de 2022 | 05h50

Oi pode ainda ganhar mais R$ 295 milhões se atingir determinadas metas   Foto: Paulo Vitor/Estadão

A conclusão da operação de venda das redes móveis da Oi para a aliança de TIM, Vivo e Claro, na quarta-feira (20), resultou em valores nominais sem diferenças substanciais em relação àqueles originalmente acertados quando a venda foi selada, no leilão de dezembro de 2020, conforme antecipou o Broadcast em reportagem na última semana.

Desde o leilão até o fechamento da venda se passaram 16 meses. Esse foi o tempo necessário para a transação obter a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Também entra nessa contagem de tempo o período no qual os representantes da Oi e do trio fizeram a validação das métricas operacionais e financeiras relacionadas ao negócio.

Essas cláusulas foram firmadas para prever, por exemplo, descontos ou bônus caso a Oi tivesse perdas/ganhos de clientes de telefonia móvel ou acúmulo de prejuízos/ganhos no segmento de lá para cá.

Lá atrás, o negócio foi avaliado em R$ 16,5 bilhões. O valor era composto por R$ 15,74 bilhões referentes à rede móvel da Oi, em si, mais R$ 750 milhões a serem pagos à companhia pelos serviços de gestão e transferência das redes e clientes.

De acordo com cálculo da reportagem a partir dos valores informados pelas teles em comunicados ao mercado ontem, o valor final do negócio, ficou em cerca de R$ 16,8 bilhões. Desse montante, a rede móvel da Oi foi recalculada para R$ 15,92 bilhões, portanto, um acréscimo de R$ 178,2 milhões.

Segundo a Oi, esse acréscimo de R$ 178,2 milhões refletiu, “entre outros, o montante da dívida líquida e do capital de giro de cada uma das SPEs Móveis transferidas às Compradoras, bem como a redução ou acréscimo, conforme o caso, de valores individualmente acordados entre a Oi e as Compradoras”.

A Oi pode ainda ganhar mais R$ 294,6 milhões se atingir determinadas metas de migração da bases de clientes e frequências, sendo que R$ 49,6 milhões já foram recebidos por parte das metas atingidas.

Por sua vez, o valor do contrato de prestação de serviço recuou de R$ 750 milhões para R$ 586 milhões. No comunicado ao mercado, não foram dadas explicações para essa diferença.

Fora isso, foram assinados conforme previstos os contratos de fornecimento de capacidade de transmissão de sinais de telecom em regime de exploração industrial, no valor presente líquido de R$ 819 milhões. O montante será pago em parcelas mensais pelas compradoras à Oi durante um período de até 10 anos.

Desembolsos individuais

No fatiamento das redes móveis da Oi, cada uma das concorrentes iria pagar valor proporcional ao tamanho do seu pedaço na pizza. Os valores finais também sofreram algumas alterações em relação aos montantes originalmente anunciados.

A TIM, dona de 44% do negócio, ficou com um pagamento de R$ 6,98 bilhões (o previsto era um desembolso de R$ 7,3 bilhões). A Vivo, com uma parte de 33%, assumiu pagamento de R$ 5,37 bilhões (ante R$ 5,5 bilhões anunciados antes).

A Claro, com 22%, informou que o valor total da operação foi de R$ 3,571 bilhões, tendo a operadora já efetuado o desembolso de R$ 3,246 bilhões. Outros R$ 324,6 milhões ficarão temporariamente retidos para eventuais ajustes de preços mediante condições previstas no contrato.

 

Este texto foi publicado no Broadcast no dia 20/04/22, às 16h30.

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