Venda de ativos e concorrência com fintechs são desafios para futuro presidente do BB

Venda de ativos e concorrência com fintechs são desafios para futuro presidente do BB

Por Aline Bronzati

28 de julho de 2020 | 05h00

Crédito da foto: Nilton Fukuda/Estadão

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

O futuro presidente do Banco do Brasil terá de lidar, de cara, com dois grandes desafios ao assumir o cargo. Além de acelerar a venda de ativos, atropelada pela pandemia do novo coronavírus, ainda terá de preparar a instituição para se posicionar na arena tecnológica que se transformou o setor bancário.

O atual presidente, Rubem Novaes, iniciou ambas as agendas durante a sua gestão, mas não conseguiu colher os frutos esperados. Do lado da esteira de desinvestimentos, selou a joint venture com o suíço UBS, que se arrastava desde a antiga administração, e ainda vendeu as ações do IRB Brasil Re a preços superiores aos de hoje, em meio à crise de credibilidade enfrentada pelo ressegurador.

No entanto, vários negócios ficaram pelo caminho. A própria joint venture com o UBS ainda não saiu do papel. A expectativa era de que o negócio, anunciado em novembro, tivesse sido colocado de pé em até nove meses, a serem concluídos em agosto. A estrutura do ‘novo banco’ já estaria adiantada, mas ainda falta aval do Banco Central para o negócio, conforme apurou o Broadcast.

O BB chegou a avançar na estruturação de uma oferta de ações do BV, antigo Votorantim. A pandemia, novamente, adiou a abertura de capital do banco.

A gestão atual também não conseguiu concluir a seleção de um parceiro para a área de gestão de recursos, a BB DTVM, nem para o seu braço de recuperação de créditos vencidos, a Ativos. Outros ativos da lista de desinvestimentos, mas que seguem nas mãos do banco são o argentino Patagônia e o BB Americas, sua filial nos Estados Unidos.

Sem concluir boa parte das vendas, a Caixa Econômica Federal, sob a coordenação de Pedro Guimarães, ganhou mais holofotes. No ano passado, o banco vendeu mais de R$ 15 bilhões em ativos, incluindo ações da Petrobras e também do IRB.

Além disso, a Caixa vem selando uma série de parcerias bilionárias em seguros para levar sua holding no segmento, a Caixa Seguridade, à Bolsa, o que ainda é esperado para este ano. Em paralelo, faz o mesmo com o negócio de cartões.

Enquanto no BB a pandemia paralisou a agenda de desinvestimentos, a Caixa esteve à frente do pagamento do auxílio emergencial. De quebra, ganhou uma base de mais de 50 milhões de contas digitais e trabalha para remunerá-la seja por meio da ofertas de produtos ou via a abertura de capital do seu ‘banco digital’.

Já na arena tecnológica, o BB avançou em algumas frentes, ainda que com menos exposição que a Caixa. O banco é, por exemplo, parceiro do Facebook na ferramenta de envio e recebimento de dinheiro por meio do aplicativo WhatsApp, suspenso pelo Banco Central. Além disso, tem crescido sua base virtual. São 19 milhões de clientes digitais atualmente. Já aqueles considerados ‘nativos digitais’ somavam 4,5 milhões ao fim de março último, quase o dobro um ano antes, de 2,7 milhões.

Ainda assim, o mercado cobra mais. “O banco precisa de reformas para enfrentar o ambiente bancário em rápida mudança. Com fintechs ganhando escala, as taxas de juros em níveis historicamente baixos e o Banco Central adotando medidas importantes para promover a concorrência, o banco precisará estar atento para acompanhar”, disseram os analistas do Citi, Jörg Friedemann e Gabriel Nóbrega, em relatório ao mercado.

Para um ex-executivo do BB, a escolha de um presidente que preencha todas as necessidades para o cargo é “difícil”. “Teria de ser alguém totalmente alinhado à visão liberal do Governo, mas que conheça muito bem a estrutura e a cultura do banco e, finalmente, que tenha uma capacidade muito forte de articulação e ainda tenha reconhecimento do mercado”, diz.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 27/07 às 16h41.

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