Venda de sede da Odebrecht empaca por falta de acordo

Venda de sede da Odebrecht empaca por falta de acordo

Economia & Negócios

15 Junho 2018 | 04h00

Após mais de um ano de tentativas, a venda do prédio sede da Odebrecht em São Paulo não encontrou compradores, mesmo após a oferta ter rodado entre todas as grandes operadoras de imóveis comerciais e gestoras de investimentos imobiliários. Não que o prédio seja ruim. Pelo contrário. O edifício de 18 andares tem alto padrão, certificado ambiental, e está situado na Marginal Pinheiros, próximo do eixo corporativo da zona sul. O problema é que o ativo, avaliado em cerca de R$ 350 milhões a R$ 400 milhões, está comprometido em uma dívida de R$ 520 milhões com o Itaú. A construção da sede terminou em 2013 e foi financiada por um Certificado de Recebível Imobiliário (CRI) adquirido pelo banco em que o lastro são os aluguéis pagos pelas subsidiárias do Grupo Odebrecht que ocupam o prédio.

Nem com reza. Após reajustes anuais previstos no contrato, o valor da locação ficou muito caro, em torno de R$ 220/m2, enquanto os prédios corporativos daquela região são alugados hoje por menos da metade desse valor devido à crise. Para tentar atrair compradores, a Odebrecht topou até montar um “combo” incluindo as sedes de São Paulo e Rio de Janeiro. Mesmo assim, a conta não fechou, segundo cálculos de gestores de investimentos imobiliários.

Corner. Pressionada por dívidas e multas da Lava Jato, a Odebrecht veria como uma boa alternativa vender os prédios, continuar como inquilina e reduzir os valores de locação. Já o Itaú nega desconto no aluguel da sede paulistana, pois o contrato do CRI vence só depois de 2020 e assegura os recebíveis até lá. Sobrou à construtora e ao banco discutirem uma possível dilatação do prazo para pagamento do CRI e, talvez, corte de juros. Procurada, a Odebrecht disse apenas que avalia constantemente oportunidades de venda de ativos fixos não operacionais que contribuam para a reciclagem de capital, criação de valor e liquidez da empresa. Já o Itaú preferiu não se manifestar.//CIRCE BONATELLI

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