Versão minimalista da Oi enterra de vez o malogro da “supertele”

Versão minimalista da Oi enterra de vez o malogro da “supertele”

Irany Tereza

09 de setembro de 2020 | 05h20

A Oi, que em 2008 foi alvo de um esforço polêmico no governo Lula de criação da “supertele nacional”, com uma providencial ajuda do BNDES, já tinha tirado a capa de “super” e começou a abandonar a característica de “tele”, com a assembleia realizada hoje para que os credores aprovem seu novo plano de recuperação judicial. A plano prevê o fatiamento da operadora, que será apenas responsável por oferecer infraestrutura ao setor.

Nunca se endireita. “Pau que nasce torto, morre torto”, disse Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro do governo FHC à época da privatização, à Coluna. Ele lembrou que, como no Brasil até então vigorava um monopólio nas telecomunicações, havia uma exigência no processo de que todos os grupos na disputa dos leilões tivessem ao menos um operador estrangeiro para garantir a expertise. Somente a Telemar, que se transformaria depois na Oi, descumpriu a obrigação.

Origem. Uma cláusula pétrea criada por seu antecessor no ministério de FHC, Sérgio Motta, também determinava que nunca poderia haver redução de competição no setor no País, o que está prestes a acontecer. A empresa é a prova de que não basta a mão do governo ou a vontade política para definir a atuação de um setor, muito menos um setor tão tecnologicamente complexo. “Não perceberam que telefonia muda muito rapidamente. Foi o que aconteceu, com a expansão do celular, o digital etc. As tentativas de consertar esbarram no pecado original”, diz Mendonça de Barros. Procurada, a Oi não quis comentar.

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