VirtusPay, fintech de cofundador da 99, capta R$ 125 milhões no ano

VirtusPay, fintech de cofundador da 99, capta R$ 125 milhões no ano

Cristiane Barbieri

10 de novembro de 2021 | 05h10

Gustavo Câmara, da VirtusPay : “boa fórmula para emprestar dinheiro”   Foto: VirtusPay/Divulgação

Após assediarem por todas as frentes os clientes de média e alta renda, bancos e fintechs começam a avançar na disputa pelos consumidores com pouco ou nenhum crédito. É um desafio maior. Apesar de ser grande parte da população brasileira, é um público sem histórico de crédito e, portanto, cujas taxas de calote – e os juros a serem cobrados pelos empréstimos – são ainda difíceis de calcular. Mesmo assim, iniciativas em várias frentes, comandadas de bancões aos neobanks, passando pelo crédito ao consumidor, começam a mostrar resultados e a receber mais investimentos.

A VirtusPay, fintech comandada por Gustavo Câmara, um dos cofundadores da 99, acaba de captar R$ 100 milhões, por meio da emissão de títulos de dívida (debêntures). Os papéis foram comprados por grandes gestoras, como Verde Asset, Ibiúna, Augme, Schroeders e outras. No fim de julho, já havia feito uma emissão privada de R$ 25 milhões.

O dinheiro vai ser usado para lastrear operações de crédito direto ao consumidor (CDC), já que a fintech oferece um produto conhecido como BNPL (do inglês “buy now, pay later”, o famoso crediário). Novidade e em altíssima ascensão no exterior, no Brasil ele é usado como ferramenta de inclusão para quem não tem cartão de crédito ou cujos limites são muito baixos. Muitos, trabalhadores da economia informal.

“Não é difícil emprestar”

Por meio do aplicativo ou em sites de grandes varejistas ou lojas online de viagens, o consumidor consegue parcelar suas compras, mesmo sem ter notas oficiais e histórico de crédito. “Não é difícil emprestar”, diz Câmara. “Difícil é receber.”

Para ele, o fato de grandes gestoras terem se interessado pelo negócio significa que a empresa desenvolveu uma “boa fórmula para emprestar dinheiro”, já que as vendas online enfrentam, além da inadimplência, risco de fraude maior.

Assim, a VirtusPay tenta dar o pulo do gato das fintechs, ao resolver problemas comuns a muitas pessoas em larga escala. Aos 39 anos de idade, Câmara diz que empreende desde que era menino, no Rio, quando pedia gibis em consultórios médicos para vender aos vizinhos e colegas de escola.

A VirtusPay está longe de ser a única a oferecer alternativas de financiamento a quem não tem crédito. Há várias fintechs que oferecem a infraestrutura para operações de crédito a lojistas e mesmo bancos digitais, como o Neon, que diz investir na educação financeira de desbancarizados, ao incluí-los em sua base.

No fim de outubro, a própria Caixa Econômica Federal disse esperar emprestar a 20 milhões de pessoas por meio do Caixa Tem, o aplicativo usado para pagamento do Auxílio Emergencial. São linhas de crédito entre R$ 300 e R$ 1 mil, com taxa de 3,99% ao mês.

“O grande desafio era que essas pessoas não tinham histórico de crédito”, disse Pedro Guimarães, presidente da Caixa, ao Broadcast, à época. “Quando ela pegava dinheiro emprestado numa financeira ou num agiota, não entrava na base de dados formal. Com o histórico de crédito, outros bancos vão poder analisar as informações com o open banking. Daqui a um ano, quando conhecermos a capacidade de pagamento, ele poderá ter crédito a uma taxa menor.”

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 09/11, às 18h44.

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