Visa lançará parceria no Whatsapp com mais 4 bancos, diz presidente

Visa lançará parceria no Whatsapp com mais 4 bancos, diz presidente

Irany Tereza

16 de fevereiro de 2022 | 10h00

Nuno Lopes Alves, presidente da Visa   Foto: Visa/Divulgação

Principal executivo da Visa no Brasil, Nuno Lopes Alves, revela que, em seis meses, a empresa lançará parcerias fechadas com quatro grandes bancos, tradicionais e digitais, para uso do Whatsapp Pay como meio de pagamento. Ele preferiu não listar as instituições. Mas, considerando que a empresa, líder no ranking mundial de meios de pagamentos, já tem parcerias no País com Banco do Brasil e Bradesco, não é difícil imaginar sobre quais ele está se referindo.

 

Ao programa Olhar de Líder, do Broadcast, o executivo disse também que a meta da Visa é integrar serviços, como Whatsapp Pay e PIX, meio de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central há um ano. “A gente fala de ser a rede das redes. Isso tem a ver com permitir que uma transação se inicie numa rede e termine em outra”, diz.

A seguir, o resumo da entrevista. A versão integral em vídeo do Olhar de Líder com Nuno Lopes Alves está disponível no Broadcast TV.

Broadcast: A Visa incorporou o Whatsapp como meio de pagamento. Como está esse negócio?

Nuno Lopes Alves – Já vemos um crescimento expressivo. Temos todo um ecossistema que tem de se mover junto e, para que essa ferramenta seja usada no seu potencial, vários bancos têm que implementar a tecnologia necessária. A partir de então, teremos o efeito rede, que dá um crescimento exponencial.

Broadcast: O volume movimentado é relevante?

Alves – Hoje, como estamos numa fase inicial, não está nem perto de seu pleno potencial. Não posso dar valores, mas, se tivermos essa conversa nos próximos seis meses, vou poder falar de um número já muito relevante. A base de usuários do Whatsapp é muito grande, na casa de centenas de milhões. A facilidade, associada a uma segurança que o usuário vai perceber quando começar a adotar o efeito rede, dá um potencial de utilização enorme. O Whatsapp Pay roda sobre uma plataforma chamada Visa Direct, que suporta vários outros serviços mundo afora. Na rede global que fica disponível para usuários do Brasil, você eventualmente pode fazer um pagamento em outro país. Temos a ambição de conectar todas essas redes. Vamos atingir essa escala à medida que os grandes bancos que ainda nos faltam implementarem essa solução. No nosso roadmap a implementação se preenche nos próximos seis meses.

Broadcast: Quais são esses bancos?

Alves – Não posso abrir os dados comerciais, mas temos quatro grandes bancos ainda para implementar. E, obviamente, não são só os tradicionais, mas também os neobancos, os digitais, que fazem parte desse espectro. O Banco do Brasil é um que já está no ar e fazendo campanha muito ativa para a utilização do Whatsapp Pay, dando um cash back de R$ 10 para cada transação de R$ 10 ou mais. A gente vê um grande apetite, mas o efeito rede virá quando tivermos os grandes bancos todos juntos.

Broadcast: E no segmento de criptomoeda, qual a aposta?

Alves – É significativa. Hoje a gente fala de 65 plataformas já integradas à Visa. No Brasil temos, por exemplo, a Cripo.com, Alterbank, Z-ro Bank e outros tantos em fase de implementação. É todo um novo espaço de ativos digitais. Temos desde a possibilidade de suportar com APIs todo o processo, seja compra, custódia e venda, até permitir que se façam e recebam pagamentos em USDT (criptomoeda lastreada ao dólar americano). Temos a visão de ser um hub que interconecta várias redes de blockchain que hoje vivem em espaços próprios. Já temos, mais ou menos, US$ 2,5 bilhões em volume de pagamentos em criptomoedas e a gente sabe que esse tema ainda está engatinhando no mundo inteiro. O mercado está muito aquecido e o Brasil é visto com muito apetite pelas grandes plataformas de criptomoedas.

Broadcast: Qual foi o impacto para a Visa neste primeiro ano de implantação do PIX?

Alves – Se a pergunta é se isso afetou os nossos negócios e nosso volume, a resposta é não. Acho que no futuro vai afetar, mas positivamente. O PIX ofereceu uma forma de transacionar valores digitalmente e tem feito um serviço muito bom de recrutar usuários, que se tornam visíveis para o meio digital. Isso cria oferta de valor. Passa a ser uma massa atingível para quem tem tecnologia e proposta para oferecer. É o nosso caso, em parceria com bancos emissores. A gente fala de ser a rede das redes. Isso tem a ver com permitir que uma transação se inicie numa rede e termine em outra. Temos a ambição de integrar o PIX com o Whatsapp, o blockchain com pagamentos em cartão e dar mais razões para que a sociedade entre em pagamentos digitais.

Broadcast: A Visa tem se vendido como empresa de tecnologia e não só de meios de pagamento. A visão é de que a tecnologia vai engolir os tradicionais meios de pagamento?

Alves – Na verdade, tem a ver com entender onde o potencial de crescimento está. Ainda existe potencial muito grande naquilo que são pagamentos a consumo. Globalmente, a gente estima que ainda existam US$ 18 trilhões em pagamentos em espécie, cheques e meios não digitais. Fora do espaço de pagamentos a consumo, o número é dez vezes maior: são US$ 180 trilhões identificados de movimentação financeira entre pessoas, governo e pessoas, pessoas e governo, entre empresas. Este é um espaço que a gente abraça com as mesmas tecnologias e a mesma capacidade que vem aplicando nos últimos 60 anos em pagamento de consumo. Continuamos interessados em pagamentos a consumo, temos três vezes o nosso tamanho global ainda a capturar. Mas, mais do que esse volume, é tudo o que se refere a pagamentos entre empresas, entre pessoas. E além de explorar esse espaço de facilitar transações, temos os serviços de valor agregado, em que a transação é a base para podermos dar mais valor a esta movimentação. Significa que a gente consegue monetizar dados para fazer campanhas observando essas transações, embarcar mais sugestões de gestão de risco sobre essas transações. No final das contas, conseguimos expandir as plataformas de negócios de nossos parceiros. Temos ajudado, em escala considerável, clientes a adquirir consumidores online, com perfil de crédito adequado.

Broadcast: É uma consultoria basicamente para o setor comercial?

Alves – E para os clientes emissores também. Os grandes bancos e as credenciadoras também se beneficiam dessa consultoria. E vamos estender isso para governos muito em breve. Ajudar os governos a digitalizar a sociedade.

Broadcast: Qual foi o impacto da pandemia para a Visa no Brasil?

Alves – Um estudo da Visa identificou que 96% das pequenas empresas brasileiras disseram ter sobrevivido à pandemia graças às vendas on line e que, hoje, 50% de seu faturamento vem do e-commerce. Outra estatística mostra que, durante a pandemia, 40% dos novos negócios já nasceram com aceitação online. A gente entende que essa é uma ferramenta para empoderar pequenos e médios negócios, que são o motor da economia. Tínhamos, em 2020, uma meta de digitalizar 50 milhões de pequenos negócios até 2025. Neste momento, já chegamos ao patamar de 24 milhões.

 

Esta entrevista foi publicada no Broadcast no dia 10/02/22, às 15h46.

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